O Escritor e a Palavra

12/04/2011

Entrevista de Vicente Franz Cecim

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Por Maria João Cantinho

RELANÇAMENTO DOS 7 PRIMEIROS LIVROS VISÍVEIS DE ANDARA EM VERSÕES REVISTAS E TRANSCRIADAS PELO AUTOR

Vicente Franz Cecim nasceu e vive na Amazônia, Brasil, em Belém. Desde 1979 se dedica à invenção de uma longa e única Obra: ‘Viagem a Andara, o livro invisível’ – que segundo ele é ‘literatura fantasma, o não-livro, pois não é escrito’. Desse não-livro, sem palavras, e puramente imaginário, emergem todos os livros visíveis que compõem a Viagem a Andara, concebida e escrita em volumes individuais, independentes em sua interdependência, entre si, dos quais 13 já foram publicados, no Brasil e em Portugal. Andara é região-metáfora da vida: originou-se na mítica Amazônia, de um pequeno ponto do Universo, na Floresta, ponto que o autor denominou ‘Andara’ e completando agora seus 26 anos de criação.
A reunião em volume único de seus 7 primeiros livros sob o título ‘Viagem a Andara, o livro invisível’ (Iluminuras, Brasil, 1988) recebeu o Grande Prêmio da Crítica da APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte, que já lhe concedera, em 1980, o Prêmio Revelação de Autor, pelo livro ‘Os animais da terra’. Em 1981 foi Menção Especial no Prêmio Literário Plural, no México, por ‘Os jardins e a noite’. Em 1994, lançou outra coletânea de livros visíveis de Andara: ‘Silencioso como o Paraíso’ (Iluminuras, 1994). 
Seu mais recente livro publicado, ‘Ó Serdespanto’ (Íman, 2001, Portugal) foi apontado pela crítica portuguesa, em consulta a 14 críticos pelo jornal Público, como um dos melhores lançamentos do ano. Revistos e transcriados pelo autor, seus primeiros 7 livros acabam de ser relançados (Cejup, Amazônia, 2004) reunidos nos volumes ‘A asa e a serpente’ & ‘Terra da sombra e do não’. Tem inéditos os livros visíveis de Andara: ‘K O escuro da semente’ &’ Óó: Desnutrir a pedra’ & ‘Breve é a febre da terra’.


Maria João Cantinho – Você acaba de reeditar os 7 primeiros livros de Andara. O título, para quem não conhece os seus livros, suscita uma extrema curiosidade. O que é Andara, que universo é esse?

Vicente Franz Cecim – Andara às vezes não é nada//É só uma estrada/onde uma sombra longa, de homens, de pó, vai passando//Um ventinho, vindo não se saberá nunca de onde, vem e desfaz o pó,/desfaz os homens//desfaz a sombra//Andara às vezes não é nada./Não é nada.’ – Esse é um dos possíveis dizeres sobre o que é, ou não é, Andara: está lá, logo na abertura do texto ‘Música do sangue das estrelas’ contido no livro visível de Andara ‘Ó Serdespanto’, ainda inédito aqui no Brasil, que a Íman lançou, em 2001, aí em Portugal. Há quem suspeite que Andara vem da palavra ‘andar’, e como há uma relação de rimas, ainda que inaudíveis, de laços de parentesco entre as duas palavras do título do não-livro ‘Viagem a Andara’, esses pensam que acharam o caminho. Pode ser o caminho, um deles, para Andara, mas certamente não é o Caminho, o Único: esse, nem eu sei, porque Andara apenas se escreve através de mim, em Transe Verbal, e muitos silêncios, cada vez mais longos vales de silêncios a atravessar. Mas para chegar aonde? Não sei. Eu por mim suspeito que Andara é só a Viagem: não parte de Lugar Algum, e mesmo talvez, em seu Segredo, querendo, não quer chegar – porque parece impossível, humanamente, assim só homens como somos, chegarmos – a Algum Lugar. Já estamos no Lugar do Humano. Que é um lugarzinho imenso. Posso continuar tentando dizer o que é Andara, mas será sempre inútil. Quer ver? Repito o que já disse em outra entrevista à revista brasileira Azougue: – Andara sou eu, me vivendo em sonhos de Escritura de mim mesmo. Ou: – Em relação à literatura, Andara não é mais Literatura, é Escritura e desvio onto-introspectivo, em relação à Literatura. Continuo tentando? Não sei bem para que, mas tentemos: – Andara é Coisa que viaja por dentro e no sentido inverso: quer retornar dos dedos dos pés ao calcanhar de Aquiles do homem, ali onde ele é mais sensível à Hipótese Onírica e Lúdica e Naturalmente Sagrada da vida. Andara quer a Origem, o Antes do ponto em que tudo começou a se perder do Todo, o ponto oculto de nós, homens, que só se consente a nós em Relances, Vislumbres. Se ela quer alguma coisa – é Isso. Eles também me perguntaram, estou relendo a entrevista agora: – E esses vislumbres em Andara permitem ver o que? – O Onde e o Quando o natural e o sobrenatural ainda não haviam sido deformados como oposições que se excluem mutuamente, foi o que respondi. E essa é uma resposta que mantenho: – Andara se opõe à Matriz dos dualismos. De todos os dualismos. Ela é Demanda do Um através do Vários. – Mas vê, Maria, o quanto eu também sou vítima do fascínio de Des-cifrar Andara. Falei tanto, não disse quase nada. E Cifrei mais ainda Andara.

M.J.C. – De Andara e dos seus livros, a crítica brasileira foi unânime em reconhecer-lhe a excelência. Um universo mítico, uma linguagem mística, onde se reconhecem os vestígios de inúmeras vozes que o influenciaram. Posso citar duas? Borges, Juan Rulfo? Que outras vozes se encontram em Andara? Onde bebeu o seu misticismo? Platão? Heráclito?

V.F.C. – Não gosto de entender as relações mútuas entre criadores como simples ‘influências’, esse é o diálogo superficial, aquela ‘angústia’ de que fala Harold Bloom pode até existir, e – Sim, existe, mas são fases, se dá ainda no Tempo das Buscas do nosso próprio Autor em nós. Entendi isso quando entendi que ‘ler é Nutrição ou não será nada’ – como um mero Leitor se nutre do que lê, ou se entrega aos seus jejuns solitários, assim também opera o Autor. No essencial, é a mesma Alquimia. Processamos alimentos. Transmudamos parte deles em nosso próprio ser – mas não no Ser imenso em nós, que só se funde ao Um que se projeta em Vários: esse é o Ser intransmutável. Pelo menos eu opero assim. Quanto à crítica brasileira e sua recepção muito favorável a Andara, isso se deu desde o primeiro livro, ‘A asa e a serpente’, em 1979, mas editar Andara continua sendo muito difícil no Brasil ainda hoje. E mesmo em Portugal, ainda não consegui publicar mais de um volume de Andara. A Viagem a Andara não é o manipulável e vendável Caminho de Santiago de Compostela, a superficialidade desperta da maioria dos editores se junta à superficialidade adormecedora da maioria dos leitores, e, como eu disse: – Andara é coisa que viaja por dentro. No fundo do Profundo onde o Real e o Sonho são convidados a vir à tona juntos. Andara não quer ajudar, e se quer Curar é libertando, não iludindo, condicionando, recondicionando. Quanto ao mítico e ao místico nos livros de Andara, o primeiro é certamente Memória Ancestral da Humanidade e, no meu caso, se nutriu, e provavelmente se ampliou, do fato de eu ser um nativo, apesar de ter sangue árabe e sardo ainda fluindo nas veias, da Amazônia – geografia real por fora transfigurada em região-metáfora da vida por dentro, em Andara. O segundo, o místico? Eu faço a mesma pergunta a Platão: – Onde tu bebeste teu Misticismo? – Provavelmente ele responderia que bebeu na mesma Fonte, onipresente e ao mesmo tempo sempre oniausente, discreta, oculta em si, em que bebe toda coisa viva e com insaciável Sede infinita o animal humano. Voltando às influências, ou nutrições, amo Rulfo – com quem tenho em comum um profundo sentimento pelas brumas glaciais da literatura nórdica: Knut Hamsun, por exemplo – e amo Heráclito, como amo em equilíbrio com ele, Parmênides: o Efêmero & o Permanente – e, por isso, sem dúvida deles me nutri, mas Borges e Platão eu apenas admirei, admiro, observo, medito. Mas não devemos situar Borges no mesmo território de Platão: o primeiro é um construtor de belas ruínas circulares, o segundo é ou busca ser o próprio Círculo que dá origem, na ilusão do Tempo, a essas irremediavelmente futuras ruínas. Ruínas são fascinantes: quando abandonadas, esquecidas pelos homens, o Vento continua as visitando, soprando através delas. Volta sempre. O Vento nada abandona – esse Invisível amante das Areias, que só se mostra no visível quando agita os nossos cabelos ou as folhas de uma árvore. Falo do Vento como Anima. Então, como Verbo fecundador. O nosso Abismo é vir um dia a saber se é o Verbo que gera o Silêncio ou se é o Silêncio que permite e engendra a manifestação do Verbo. Tudo isso é Andara. Tudo isso é o Vazio que transborda através de nós e, então, também através de mim, em Andara. Ave, ouve, Maria: – Há tantas vozes murmúrios gritos uivos sussurros nos ventos que sopram e contam suas histórias através de Andara, que já não sei distinguir quando são as Asas de Angelus Silesius, o Uno de Plotino ou a Originação Dependente de Nagarjuna, além de tantas outras vozes que se apresentam Anônimas, falando, ou a própria Voz de Andara se falando através de mim. O relançamento, agora, em versões, atenção para essa palavra: ‘transcriadas’ – criação sobre criação sobre criação, escavações de Raízes e re-semeaduras de Sementes: foi essa a transmutação, a vivência que experimentei – dos 7 primeiros livros de Andara, reunidos nos volumes ‘A asa e a serpente’ e ‘Terra da sombra e do não’, só me confirmou nessa Dúvida. Ainda sobre ‘influências’, uma palavra: – Um escritor ‘kafkiano’ é um Pecador inconfessável contra a originalidade absoluta de Kafka, da qual só devêssemos nos aproximar com Amizade não-corruptora, não-contaminadora, preservando sua essencialidade Sagrada, intocável. Só assim também nos aproximamos da nossa submersa latente sacralidade.

M.J.C. – Fala de Escritura e de desvio onto-introspectivo em relação à Literatura. Blanchot fala disso em ‘Entretien Infini’. Mas do que está a falar, quando refere o desvio? Subverter o cânone? Suspender a linguagem para escutar o sopro inaugural?

V.F.C. – Há coisas que se dizem por sua própria Etimologia, é assim que elas mais nos falam e não devemos falar mais nada, traduzir por outras palavras, o que elas em si já dizem. São intraduzíveis. Não achas? Apenas quis dizer com isso que aguardo um Tempo em que seja a ‘Palavra praticada como Vida, a Literatura praticada como Ontologia.’ Escrevi isso na apresentação de um livro e em outros lugares por aí. Então, deixemos de lado a conformação verbal ‘onto-introspectivo’. Já temos uma tarefa imensamente Perturbadora de que devemos nos ocupar agora: o Desvio. – Desviar de que, desviar para Onde? Já não estamos no Desvio, já não somos o Desvio humano semeado num Universo que estranhamos, e, por isso, por esse Estranhamento, compreendemos ou julgamos compreender? Contraímos uma familiaridade, por exaustão de convivência, e acabamos por nos empobrecer de estranhamentos. Mas familiarizados, ainda estranhamos, e estranhando a nós mesmos – existe Enigma mais impenetrável do que o homem? – buscamos nos familiarizar com nós mesmos. Vê: uma Árvore já está na Via do seu ser, ela é essa Via. Uma Pedra também. Uma Ave. Mas o Homem, qual é a sua Via? Um Homem é habitante de desvios incessantes. Uma vez ouvi o angélico escavador em espelhos Robert Bresson, citando alguém que não lembro, dizer: ‘- É preciso desviar pelo saber.’ Fiquei pensando: – Mas a qual saber ele se refere? É possível obter um Saber numa vida que se parece tanto um tecido de Sonho, a não ser o Saber que sonhamos e Somos Sonhados – e talvez sonhemos a nós mesmos? Nossa natureza é desviante, não nos é dado um Saber Fixo, jamais – Jamais. Embora seja uma verdade vertiginosa aquilo que Keats vem nos dizer assim: ‘A thing of beauty it’s a joy forever’/’Um vislumbre de beleza é uma alegria para sempre.’ Não sei se isso é uma Condenação ou uma Graça. Só sei que Andara é Busca & Desvio ao mesmo tempo, não são oposições que se negam, antes, se complementam, se complementem, é pelo que espero – e que nela, Andara, tudo se dá buscando no labirinto de um Desvio e se desvia incessantemente no desvio de uma Busca. Não sei porque as coisas são assim. Quando soubermos, se um dia isso acontecer, então fica a interrogação: – Para que mais continuar praticando a Literatura, mesmo como Ontologia, pois já teremos chegado, ou melhor: – Retornado, à pura Ontologia, que de si não se desvia, sob pena de não ser? Ou ela é a mais perfeita forma de Desvio a que estamos destinados? Blanchot? Esse ‘Diálogo Infindo’ de Blanchot eu fui buscar na estante e tenho ele agora aqui comigo. Abro ao Acaso. E, curiosamente, o que acho não são palavras de Blanchot, mas, na epígrafe do livro, estas palavras de Nietzsche: ‘- Isto é uma bela loucura: falar. Com isso, o homem dança em e por cima de todas as coisas.’ Mas em outra epígrafe, ao seu lado, já ouço a voz de Mallarmé resmungando em êxtase: ‘- Esse insensato jogo de escrever.’ A Insensatez é se manter no Desvio, então? Por outro lado, sem Insensatez não há, não haveria Literatura, e nesse sentido é a Insensatez da Literatura que pode nos desviar do Desvio. Ao mesmo tempo que nos confirma nele. – Se recusar à fixidez do Cânone, de qualquer cânone, suspender a linguagem para escutar o vôo inaugural. Voar sempre o primeiro vôo, que todo novo vôo seja sempre o primeiro vôo. Sim, é disso que se trata. No segundo livro visível de Andara, ‘Os animais da terra’, tão antigo, de 1980, no entanto ainda está escrito e isso não mudou com a minha recente ‘transcriação’ dos livros: ‘embora a ave mais bela seja aquela que se recusa a voar.’ Posso encerrar com uma outra frase, esta efetivamente de Blanchot no ‘Diálogo Infindo’? Eis, está na página 41 da minha edição pela Monte Ávila, Venezuela, 1996: – ‘O céu é azul, é azul o céu? A segunda frase não retira nada da primeira, ou é um retirar como um deslizamento, como uma porta que gira em seu eixo silencioso. A palavra ‘é’ não foi retirada: só foi aliviada, feita mais transparente, proposta a uma dimensão nova.’ – Maria, suspeito que é da palavra ‘é’ que a Literatura deve suspeitar sempre, porque a Literatura é no máximo um pequeno espelho colocado diante de um imenso Espelho, certamente um Simulacro da vida vivida, ou Sonhada. E esse ‘é’, é onde: no Onde? Podemos tentar vislumbrá-lo, mas isso já não é viagem linear para a Literatura Canonizada, com suas fronteiras mortas de gêneros, normas, regras, cultos – ao contrário, é um movimento que se atira contra a própria Instituição chamada Cultura – é andasse, andaríamos, é – Se eu andara: é Andara – Tempo da Hipótese, se indo cada vez mais para o abismo ou céu aberto da Pura Escritura e para o Silêncio, sobretudo para o Silêncio, o Advento do Silêncio que há de vir – por ele, espero e não espero – pois a meta sem-meta é permitir que o Vento: o Verbo, mas já sem voz, sopre um dia que talvez nunca virá através das Ruínas das palavras da própria escritura, como atualmente já sopra nas ruínas comoventes da literatura. – Percebemos essa brisa, essa aragem que nos chega do Futuro? 

M.J.C. – Fala da ‘aragem que nos chega do Futuro’ em Andara, mas eu acrescentaria as vozes do passado que se fazem ouvir por todo o lado. Que espécie de memória e tempo são estes que emergem em Andara?

V.F.C. – Um criador de Escrituras, não um mero escrevedor de literatura, também é feito de ouvidos, talvez sobretudo de Ouvir, não somente de Voz. – Quem tiver ouvidos, ouça. – Não foi o que uma Voz bem mais antiga que as nossas uma vez nos disse? Ouçamos, então. Mas com quais ouvidos, com qual Ouvido em nós? E a que Voz, que nos fale? Nossa Tribo Peregrina se move por todos os recantos do Real e dos Sonhos em Demanda das Dobras em que se oculta o Ser. Tentamos nos tornar as próprias Dobras do Ser. É isso o que buscamos, penetrar Ilusões, não apenas escrever. Quando escrevemos, estamos na verdade desdobrando, desencantando o encanto que nos oculta o Ser – para que ele possa se mostrar a nós, a todos nós, a Si Mesmo, no Visível, como o Puro Encanto que é. Que fosse. Que seja. Que seria. Que sendo. Que talvez. Que, quem sabe? – Maria, ave, ouve isso: o mais enfeitiçante autor da literatura brasileira, João Guimarães Rosa, disse um dia, a partir do seu Sertão: Veredas: – ‘A gente não morre, fica encantado.’ Por muito tempo acreditei nisso. Mas cheguei a uma outra compreensão. E da minha Amazônia: Andara, agora digo, inversamente: – ‘A gente não nasce, fica encantado.’ O nascer no Visível é o Encantamento a que nos submete o Invisível. Qual é a finalidade disso tudo? Há uma finalidade? É perguntar certo, perguntar por uma Finalidade? É um Ato Gratuito da Vida, a Vida? Abandono o homo sapiens. Clamo pelo homo ludens em mim. Me pergunto. Pergunto outra vez, e mais outra, e mais outra. Salto de uma pedra a outras das perguntas, vario as perguntas. Invento linguagens inexistentes para nelas fazer a Pergunta. Pergunto à própria Pergunta qual é a Pergunta? Me lembro de Jidu Krishnamurti, que muito amo, dizendo que a Pergunta Certa já contém em si a Resposta. E pergunto em todos os Lugares, em todos os Tempos de mim e da vida – porque é sempre no Tempo da Hipótese que é todos os tempos verbais e tempo sem-tempo e lugar sem-lugar e Lugar de Todos os Lugares, e Tempo de Todos os Tempos, que falo e ouço Andara e suas vozes. Seus silêncios eloqüentes. Seus sussurros, invejo seus Lábios sutis. Aguardo, anseio, desisto, retorno à Pergunta: oro pela Resposta. Amaldiçôo o Silêncio. Peço Perdão ao Silêncio. Me escuto calado. Veja uma formiga na terra, uma ave no céu – não entendo o real que todos vêem – tento ver o Inverso, como se fosse a realidade invertida, assim: um ave pesando sobre a terra, uma formiga alada no céu – creio novamente que a Pergunta é possível, que a Resposta é possível. – Ah, Maria, nossa Tribo Peregrina se move por todos os recantos do Real e dos Sonhos em Demanda das Dobras em que se oculta o Ser. Do Ser em que se ocultam as Dobras? Viver da Espessura, na densidade das coisas e de nós mesmos me parece ser uma Destinação de Alquimistas para todos nós: apenas de uma coisa se trate: o Invisivelmente quer ser o Visivelmente e nossa tarefa é uma só: – Dar visibilidade ao Invisível. Mas sem que se choquem em oposições ou subtrações de Um pelo Outro: manter o Elo entre ser e não-ser. Por isso inverto o Rosa: – ‘A gente não nasce, ficas encantado.’ Mas preservando o que ele diz: – ‘A gente não morre, fica encantado.’ A Verdade é feita de muitas verdades. E todas essas verdadezinhas estão em nós. – Se dispersando em todas as direções a partir do Um inicial? Convergindo todas elas para o Um final? Enquanto não sabemos a Resposta, porque não sabemos a Pergunta, fiquemos com Heráclito. Pelo menos eu devo ficar assim, nessa Vigília Adormecida, que é a humana, em Andara – entre O Visível dos livros visíveis de Andara & o Livro Invisível que é Andara em seu todo inesgotável e insaciável. Heráclito. Não foi ele, o Obscuro Transparente, quem disse o Fragmento já despojado de Resídua, nos apontando a condição do nosso ser imerso em Dobras – ‘Vida ama ocultar-se.’ Não foi? Em Andara, pois, ele, também o Transparente Obscuro, tenha uma fecundante Presença. Andara, como a Vida, é sempre esse jogo infantil de esconde-esconde por entre as Dobras de existirmos, todos: homens, árvores, insetos, estrelas, as Sombras das Coisas também, é sempre esse Claro-Escuro de Terra Fogo Água Aragens ou Ventos soprando. Ora avivando as nossas Chamas, ora apagando em nós a Luz. – Nós somos, sempre, aqueles homens que, na Noite, em Andara, se sentam sob uma árvore e acendem uma fogueira, Fogo & Escuridão, para se contarem e ouvirem histórias. E os murmúrios da Terra e o Silêncio do céu sobre nós. E se nos contamos histórias, é somente na esperança de que um de nós, um dia, em um dos Livros de Andara, faça a Pergunta Certa, que já será a Resposta. Seja qual for ela. E se há Resposta. Esse é o Enigma, embora em toda Andara ele esteja sempre presente, muito especificamente abordado no sétimo livro visível: ‘Música de areia’. Nos 13 livros visíveis de Andara que já consegui editar, nos 3 que ainda estão inéditos, e nos 7 primeiros ‘transcriados’ e agora relançados nos volumes ‘A asa e a serpente’ e ‘Terra da sombra e do não’, é em torno desse Fogo para ouvir essas Vozes que seus possíveis leitores devem também se sentar. Sem temor de se perder no labirinto, ou labiantro, dos livros visíveis de Andara, que vou extraindo do não-livro ‘Viagem a Andara, o livro invisível’ ou a ele acrescentando – porque cada um deles, em si, é autônomo e tem sua própria pequenina voz e conta a sua história. Quem conhece apenas um livro de Andara, já pode conhecer Andara inteira, porque nesse único livro já terá penetrado na Trama Verbal comum a todos – que é o essencial Ser de Andara. Como se diz disso? Ah, sim: holograma. Andara é, seja, fosse, seria um Holograma, em que todas as partes contêm em si o Todo. E vice-versa. Não é um ciclo, como ‘A Comédia Humana’ de Balzac? Não apenas, porque os livros de Andara mais se entretecem e se interdependem em sua independência do que a Comédia de Balzac. Também não é uma saga, introspectiva, como “Em busca do tempo perdido’ de Proust, que se desenvolve num continuum passo a passo e Andara, embora seja viagem, já está toda ela num só lugar: o Lugar de Todas as Introspecções. Em qualquer de seus livros, lugares. Talvez seja mais como o ciclo, encantatório, desprendido, desapegado de suas partes de ‘As 1001 noites’ de Sherazade, unificado pela Voz que Conta, mas sem lamentar que alguém conheça ‘Simbad, o Marujo’ e ainda não conheça ‘Aladim e a lâmpada maravilhosa’. Andara? Ah, Andara é Tapete Mágico também, para através dela sobrevoarmos a Vida, o Ser. Creio que para ela há também leitores inocentes, que podem julgar estar lendo a saga ‘O Senhor dos Anéis’ do Tolkien. 

M.J.C. – O seu livro, que já citou, e que foi publicado em Portugal, ‘Ó Serdespanto’, surpreendeu os críticos portugueses, que muito o elogiaram. Para quando o segundo livro de Andara?

V.F.C. – Para quando os Monstros Marinhos que vigiam a travessia do Aquém-Mar ao Além-Mar novamente me permitirem passar. 

M.J.C. – Que relação tem com a literatura de Portugal? Assídua?

V. F. C. – Tudo começa em Pessoa – e se dá no Mistério da Pessoa, em nós: é através dela que o Vários manifesto & o Um implícito fluem, e vêm, e vão: – Se fosse em Andara eu diria: – ‘É um isse e ficasse incessante’, um sempre ir e sempre ficar, que é Ausência & Permanência. Não sei como Isso se dá, não sei, mas é na medida humana de uma Balança como a de Heráclito e Parmênides que devêssemos procurar um rastro a seguir. Um Sinal do Animal de Terra e Sonhos que nos habita e no qual habitamos. Já falamos do Efêmero & do Permanente. – Maria, antes de falar sobre a literatura portuguesa, deixa eu te contar uma experiência vertiginosa, que foi linda, fascinante, e que tive em Portugal: ela me evidenciou que Pessoa não morreu, como se acha de quem morre. – Continua Vivo. E que o maior Dom de Sermos é que todos continuaremos infinitamente vivos, o mais Leve em nós, reabsorvidos na invisibilidade do que sonhadoramente no Oriente se diz ser o Sonho de Brahma, o mais Denso, re-semeando a Terra, a Gaia, re-acolhido em seu colo-ventre. Quando estive aí em Lisboa, em 2001, para acertar detalhes da publicação de ‘Ó Serdespanto’ com dois então preciosos amigos meus: o editor poeta António Cabrita e o poeta crítico Jorge Henrique Bastos – este, nativo da Amazônia como eu, vivendo em Portugal há mais de dez anos – pedi a eles, era a primeira vez que eu ia a Portugal, que me levassem ao Pessoa. Mas onde achar Pessoa? Fomos então ao Mosteiro dos Jerônimos, em Belém, a Belém portuguesa onde Pessoa estaria morto – vê os mistérios se cumprindo – a mesma Belém que deu seu nome antigo à atual Belém, capital do Pará, aqui onde eu nasci, na Amazônia. Íamos todos juntos, éramos umas sete ou mais pessoas, alegres, estávamos todos muito contentes só por estarmos juntos, saltitávamos pelas ruas. No grupo havia também umas pessoazinhas muito curiosas, uns pequenos gnomos: umas crianças. Mas quando me mostraram, de longe, o local onde o corpo de terra de Pessoa estava depositado – me atingiu uma Melancolia, uma emoção, um abalo tão grande – que comecei a chorar: aquelas lágrimas eram Saudade dele. Meus amigos perceberam e ficam silenciosos. Com um gesto, pedi a eles que me esperassem – e fui Lá, sozinho, me chegando aos poucos. O que eu podia fazer, qual era o Diálogo entre eu e ele e por que Via poderia esse Encontro se dar? Tristíssimo, me ajoelhei sobre uma perna, coloquei minha mão sobre a Pedra sob a qual Pessoa estava – e, por entre as Lágrimas, e sem voz alguma – perguntei a ele: a Ele, sob a Pedra, uma pergunta que correu de mim pela minha mão através da Pedra, pergunta que não posso revelar a ninguém, e que era da natureza de um puro Sentimento, mas que, numa tradução para o Explícito, foi mais ou menos assim: – Qual é o significado da Vida, me diz, porque te pergunto com todo o meu amor: – Existe a Alegria de Ser? – E até onde vai, o quanto dura, ao que resiste: a tudo, no Todo? Ainda agora sinto a vibração e a intensidade límpida da Resposta. Foi, sem nenhuma, nenhuma, nenhuma dúvida, um – Sim, um Sim Absoluto, dito na Outra Voz, a mesma em que eu havia perguntado a ele, e tão verdadeiro, tão definitivo e avassalador foi esse – Sim, que me inundou todo eu Inteiro, me voltando, através da Pedra pela minha mão – me tomando de uma Alegria, que já era um Júbilo, de uma Felicidade já sem mais qualquer Tormento – que transmudou, miraculosa Alquimia – todas as minhas Lágrimas em Riso, depois um Sorriso sereno, Paz na alma aos homens de boa-vontade. Pude então me levantar e voltar para os meus amigos, que a uma prudente distância me observavam e esperavam. Alguém me fez a pergunta que acho que era a de todos: – O que aconteceu? Foste chorando e voltas Rindo? – O que eu poderia dizer a eles, como dizer a eles o que havia acontecido? Distribuí pelo grupo alguns beijos e abraços e meus mais meigos afagos e meus mais puros carinhos – e saímos todos – eu, para sempre submerso na Resposta de Pessoa, já não era um homem, pois, em mim e através de Lisboa – voava. Tão enlevecido fiquei. Eu, e bem mais próximo das nossas Crianças, na volta, o mais gnomo de todas. – Depois, meus encontros com a literatura portuguesa foram: – A minha descoberta, viva, da pessoa magnífica de Herberto Helder, que poeta vasto e sem fundo, as nossas misteriosas conversas murmuradas, freqüentemente enigmáticas, até para nós dois mesmos, em tardes longas no Solar das Galegas, onde deixei a mesma cadeira, em que sentava nessas tardes de Sortilégios, sempre vazia, na sua mesa – pedi isso à dona – para lhe fazer companhia, a HH, na minha Ausência. – A descoberta dos livros de Maria Gabriela Llansol – que eu ainda não conhecia. E sabe por que? Todos nós sabemos, não? Entre Brasil e Portugal há editoras no Além & Aquém-Mar, em pleno século XXI, que ainda se dedicam, em vez de erguer uma ponte deslizante e ágil de mão dupla, a cavar um obstáculo Abissal: reserva de mercado líquido como que ainda povoado por aquelas Monstruosas Criaturas dos Mares Imaginários Medievais – ou Mar Vermelho que se recusa a abrir, e no qual cravam as perversas advertências que se costuma ler nos livros brasileiros e portugueses: – ‘Proibida a venda no Brasil.’ – ‘Proibida a venda em Portugal’. Mas então, eu dizia, descobri a Escritura singular, rara, essa da Llansol, única, como creio que ninguém mais ainda esteja fazendo em nosso tempo, na ficção, pelo menos, desde a partida de Beckett, para citar o máximo exemplo que ele nos deu daquilo que eu chamo ‘Literatura praticada como Ontologia’. – E descobri também poesia verdadeira, intensa e sensível em Luiza Neto Jorge. E depois já foi a publicação de ‘Ó Serdespanto’ pela Íman, e a aceitação generosa do livro por outras pessoas que não conheci pessoalmente, e que se tornaram maravilhosas para mim, num sentido interior de Gratidão e Maravilhamento profundos, porque escreveram sobre o livro com o mais cúmplice Entendimento, na imprensa portuguesa – o Eduardo Prado Coelho, no Público, Regina Louro, na escolha dos melhores do ano, Manoel de Freitas, no Expresso. E outros mais, de quem não tomei conhecimento porque temo os Monstros Marinhos e aos quais, ainda anônimos para mim, mesmo assim agradeço. E depois ainda não voltei aí, só me alimento das amizades virtuais trans-oceânicas. Amigos, sem rosto, que me enviam e revelam autores fascinantes, como Fátima Freitas me revelou Dalila L. Pereira da Costa: estou profundamente tocado pelos seus livros ‘A Nau e o Graal’ e ‘Da Serpente à Imaculada’. Como tu mesma, Maria João Cantinho, que me revelaste o teu incisivo ‘Anjo Melancólico’, sobre uma das tuas paixões: Walter Benjamin. Eu poderia falar, agora, talvez de Saramago, de como ele partiu em sua Jangada de Pedra para receber o Nobel. Poderia recuar mais longe, até Camões. À sua Máquina do Mundo. Mas, deixas que eu te confesse? A Presença de Pessoa ainda está em mim tão plenamente, e se intensificando sempre, desde aquele dia, daquele Diálogo através da terra – sobre a qual Al-Maharri, o sábio poeta árabe nos recomendava: ‘caminha com leveza sobre a Terra, porque estás andando sobre os teus mortos’ – que me impõe silêncio – Silêncio místico, ao qual me devoto e me sela os lábios, as Palavras, mesmo as escritas. Então, da literatura portuguesa falaremos mais em outra oportunidade, sim? 

Viagem a Andara, o livro invisível 

http://www.culturapara.com.br/vicentececim/vicentececim.htm
&
http://www.jornaldepoesia.jor.br/vcecim.html

        Uma verdadeira aula de fazer poético !

         guedes

         autorizado por Vicente Franz Cecim

 

07/04/2011

Sobre o Habitante de Desvios

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Naturalmente vai estrear nêste Blog com a autorização do próprio poeta, um dos maiores escritores , a mais alta voltagem  poética de hoje e sempre, o criador de um livro invisivel, um mundo de convergências que somente partiria da estação de Andara para uma viagem ao infinito da linguagem, sua literatura é transgressão e descobertas, filosofia de um mundo revisto pelo olhar das palavras invisiveis…

carlos bueno guedes

FRAGMENTO DE ENTREVISTA
de Vicente Franz Cecim a Maria João Cantinho

Há coisas que se dizem por sua própria Etimologia, é assim que elas mais nos falam e não devemos falar mais nada, traduzir por outras palavras, o que elas em si já dizem. São intraduzíveis. Não achas? Apenas quis dizer com isso que aguardo um Tempo em que seja a ‘Palavra praticada como Vida, a Literatura praticada como Ontologia.’ Escrevi isso na apresentação de um livro e em outros lugares por aí. Então, deixemos de lado a conformação verbal ‘onto-introspectivo’. Já temos uma tarefa imensamente Perturbadora de que devemos nos ocupar agora: o Desvio. – Desviar de que, desviar para Onde? Já não estamos no Desvio, já não somos o Desvio humano semeado num Universo que estranhamos, e, por isso, por esse Estranhamento, compreendemos ou julgamos compreender? Contraímos uma familiaridade, por exaustão de convivência, e acabamos por nos empobrecer de estranhamentos. Mas familiarizados, ainda estranhamos, e estranhando a nós mesmos – existe Enigma mais impenetrável do que o homem? – buscamos nos familiarizar com nós mesmos. Vê: uma Árvore já está na Via do seu ser, ela é essa Via. Uma Pedra também. Uma Ave. Mas o Homem, qual é a sua Via? Um Homem é habitante de desvios incessantes. Uma vez ouvi o angélico escavador em espelhos Robert Bresson, citando alguém que não lembro, dizer: ‘- É preciso desviar pelo saber.’ Fiquei pensando: – Mas a qual saber ele se refere? É possível obter um Saber numa vida que se parece tanto um tecido de Sonho, a não ser o Saber que sonhamos e Somos Sonhados – e talvez sonhemos a nós mesmos? Nossa natureza é desviante, não nos é dado um Saber Fixo, jamais – Jamais. Embora seja uma verdade vertiginosa aquilo que Keats vem nos dizer assim: ‘A thing of beauty it’s a joy forever’/’Um vislumbre de beleza é uma alegria para sempre.’ Não sei se isso é uma Condenação ou uma Graça. Só sei que Andara é Busca & Desvio ao mesmo tempo, não são oposições que se negam, antes, se complementam, se complementem, é pelo que espero – e que nela, Andara, tudo se dá buscando no labirinto de um Desvio e se desvia incessantemente no desvio de uma Busca. Não sei porque as coisas são assim. Quando soubermos, se um dia isso acontecer, então fica a interrogação: – Para que mais continuar praticando a Literatura, mesmo como Ontologia, pois já teremos chegado, ou melhor: – Retornado, à pura Ontologia, que de si não se desvia, sob pena de não ser? Ou ela é a mais perfeita forma de Desvio a que estamos destinados? Blanchot? Esse ‘Diálogo Infindo’ de Blanchot eu fui buscar na estante e tenho ele agora aqui comigo. Abro ao Acaso. E, curiosamente, o que acho não são palavras de Blanchot, mas, na epígrafe do livro, estas palavras de Nietzsche: ‘- Isto é uma bela loucura: falar. Com isso, o homem dança em e por cima de todas as coisas.’ Mas em outra epígrafe, ao seu lado, já ouço a voz de Mallarmé resmungando em êxtase: ‘- Esse insensato jogo de escrever.’ A Insensatez é se manter no Desvio, então? Por outro lado, sem Insensatez não há, não haveria Literatura, e nesse sentido é a Insensatez da Literatura que pode nos desviar do Desvio. Ao mesmo tempo que nos confirma nele. – Se recusar à fixidez do Cânone, de qualquer cânone, suspender a linguagem para escutar o vôo inaugural. Voar sempre o primeiro vôo, que todo novo vôo seja sempre o primeiro vôo. Sim, é disso que se trata. No segundo livro visível de Andara, ‘Os animais da terra’, tão antigo, de 1980, no entanto ainda está escrito e isso não mudou com a minha recente ‘transcriação’ dos livros: ‘embora a ave mais bela seja aquela que se recusa a voar.’ Posso encerrar com uma outra frase, esta efetivamente de Blanchot no ‘Diálogo Infindo’? Eis, está na página 41 da minha edição pela Monte Ávila, Venezuela, 1996: – ‘O céu é azul, é azul o céu? A segunda frase não retira nada da primeira, ou é um retirar como um deslizamento, como uma porta que gira em seu eixo silencioso. A palavra ‘é’ não foi retirada: só foi aliviada, feita mais transparente, proposta a uma dimensão nova.’ – Maria, suspeito que é da palavra ‘é’ que a Literatura deve suspeitar sempre, porque a Literatura é no máximo um pequeno espelho colocado diante de um imenso Espelho, certamente um Simulacro da vida vivida, ou Sonhada. E esse ‘é’, é onde: no Onde? Podemos tentar vislumbrá-lo, mas isso já não é viagem linear para a Literatura Canonizada, com suas fronteiras mortas de gêneros, normas, regras, cultos – ao contrário, é um movimento que se atira contra a própria Instituição chamada Cultura – é andasse, andaríamos, é – Se eu andara: é Andara – Tempo da Hipótese, se indo cada vez mais para o abismo ou céu aberto da Pura Escritura e para o Silêncio, sobretudo para o Silêncio, o Advento do Silêncio que há de vir – por ele, espero e não espero – pois a meta sem-meta é permitir que o Vento: o Verbo, mas já sem voz, sopre um dia que talvez nunca virá através das Ruínas das palavras da própria escritura, como atualmente já sopra nas ruínas comoventes da literatura. – Percebemos essa brisa, essa aragem que nos chega do Futuro?

Vicente Franz Cecim

23/03/2011

Halo – Clarice e Paola – Solos Itinerantes

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 12:10

O monólogo apresentado sabado na Sala Mario Lago, projeto Solos Itinerantes  pela atriz Paola Gonçalves, foi uma agradavel e bela surpresa, depois de um breve e nervoso inicio, o que seria natural numa estréia, a atriz  foi trazendo para dentro de si  a personagem de uma de nossa maiores escritoras, colorindo com tintas  trágicas num limite de um circulo que fazia alusão ao mundo, ao circulo vicioso da vida, a prisão  dos conceitos, vai surgindo a escrita de Clarice se refazendo de palavras, construindo um mundo a partir de uma profunda dôr existencialista, a linha que separa como um trópico a Vida da Morte, postada dentro de um eixo que vai sustentando a rotação das palavras como elemento basico de sua linguagem poética e simbolica.O texto não pede licença vai invadindo a plateia como um punhal capaz de abrir profundas veias da insensibilidade, o silencio domina, os olhos são inventados de descobertas, a aventura da linguagem toma espaço, gavetas são abertas num deslumbramento recriado de sentenças, agua-viva de pontuações, interrogações, palavras que vem como marés, ondas selvagens e delirios, a atriz paira soberba sobre abismos de uma dificil linguagem, tem pleno dominio da expressão corporal, trabalhando palavras-chaves dentro de um circulo negro , lousa com giz coloridos, sua roupaq preta se esparramando e se embebedando de palavras mágicas e de desencantados encontros,quando traça a palavra VIDA , com o giz estica a letra I pelo imaginário meio de seu corpo, é a demarcação de um território  fundado em palavras que sustem a teia de uma construção rara perpetuada pela direção do espetáculo em fazer com que a plateia assista ao espetaculo em cim do palco, formato arena, usando da concepção de abolir espaço, aproximar a plateia do mundo de Clarice, transformando o espetaculo em refluxos e ondas de caladas emoções. O dolorido da imagem , das palavras constroem o  mundo próprio de Clarice, que se impõe em cada palavra colocada no circulo, a eternidade de temas que Clarice legou em sua caminhada e sopro de vida. No final restou o delirio de uma grande atuação, um espetaculo aberto e a grata revelação de uma atriz que surge com um texto adulto, profundo e doloroso, trabalhando em estado de extase a sublimação das palavras, deixando o corpo das palavras  ficarem expostos em gavetas abertas e repletas de pedaços de cada um !

Parabens Paola, pela surpresa de uma grande apresentação e  amadurecimento de seu fazer poético ! 

 

 

 

 

Clarice Lispector

Clarice Lispector

01/03/2011

Steve Cicco

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 11:26

Steve Cicco- filme

Making Off do filme!Guedes arabe

Steve Cicco

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 10:04

Aqui estou no formato de arabe , participando do primeiro longa metragem feita pelo Cine Clube de Jacarehy ! Brevemente nas telas da cidade !

Steve CiccoSteve CiccoSteve Cicco

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22/02/2011

Nuvens de mim

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 17:06

noturnos

nas janelas fechadas de seus olhos

um abismo feito de memória

para ser guardada

entre nuvens escuras de retidas paixões

anunciando um tempo

de pronunciada solidão

sobre a cansada e usada

pele da vida  !

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26/01/2011

Sem direção !

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 14:43

dama de negro

dama de negro

perdi a direção, já repouso os olhos sobre o nada, sabendo que todas as corês me faltarão, as palavras ficam escapadas, preparadas para ingressar no espaço que sómente a escuridão é capaz de evocar, nada  tenho como rebuscar da memória, deste tempo que escapou, vou  fingindo todas minhas formas, fujo do limite da matematica, linhas geometricas dançam numa prosa silenciosa, aprendi a recuar a dôr do destino, revelar-me  numa pauta de imprecisas linhas, tateio a pele de uma ansiosa palavra que ficará para sempre esquecida e invalidada de expressão e vou cultivando esta inércia de prolongar-me ansiosamente nesta tentativa de compreender a imensidão de tudo que me rodeia tão vagamente, todas as escritas perderão seu encontro marcado com o entendimento e a palavra repousará sobre uma noite perdida de sonhos e fantasias, de olhos cegos enfeitarei com galhos secos  os precipicios de meu pensamentos, darei um escondido dizer para uma dama de véu e vestido negro e escondidas misérias, ignorarei o destino que move as palavras esculpidas de um antigo desejo de desnudamento, serei do espantalho da carne o encontro de sumos ou humus, aquelas que brotam nos cantos das paredes e ficam isoladas no fundo do mais pensado… será possivel dentro de todos desenganos este reencontro com o pulsar da vida ? Não sei a resposta desta longa viagem para o silencio afogado desta noite sem destino em que a agua-viva invadirá a dimensão de meu tempo e de meu corpo !

 

 

 

 

 

 

 

 

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06/12/2010

Anoitecido em rascunhos

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 15:08

chegou de olhos cansados e invadidos de uma longa e antiga memória, atravessou o jardim orlado de roxas violetas, entrou no escuro quarto do fundo da casa, pequeno espaço de seus pesadelos, olhou o portaretrato, ele sério ela sorridente, um sonho que durou alguns envelhecidos anos, juntou algumas roupas, o livro de repetidas leituras, jogou a chave pelo vão da porta, sentido que a vida continuaria ali na imensidão de um grande esquecimento e a rota de seu destino seria sempre marcado pela eterna solidão, mundo construido no amargo da separação.Tomou o caminho de volta, nem reparou mais nas violetas, nem olhou a casa com cortinas azuis, era a côr que ela mais amava, saia e não levava nem alegria, nem esperanças,conduzia a dôr e seu incerto destino para dentro de um  vazio  destino, não olhou para traz, nem percebeu que a noite chegaria breve de escondidas maldições e suas emoções e pensamentos estariam acorrentados pela força do tempo !

 

carlos bueno guedes

 

 

 

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12/11/2010

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 14:48

Guinsberg - UivoAllen Ginsberg O “Uivo para Carl Solomon”, de Allen Ginsberg, foi lançado em 1956, marcando o começo do movimento beat na América, uma nova maneira de ver e viver a realidade…a literatura e a música nunca mais seriam as mesmas. Capítulo: Uivo para Carl Solomon (Howl) Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca uma dose violenta de qualquer coisa “hipsters” com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite, que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando jazz, que desnudaram seus Cérebros ao céu sob o Elevados e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodos, que passaram por universidades com olhos frios e radiantes alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake entre os estudiosos da guerra, que foram expulsos das universidades por serem loucos & publicarem odes obscenas nas janelas do crânio, que se refugiaram em quartos de paredes de pintura descascada em roupa de baixo queimando seu dinheiro em cestas de papel, escutando o Terror através da parede. Que foram detidos em suas barbas púbicas voltando por Laredo com um cinturão de marijuana para Nova York, que comeram fogo em hotéis mal-pintados ou beberam terebentina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram seus torsos noite após noite com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília, álcool e caralhos e intermináveis orgias, incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula e clarão na mente pulando nos postes dos pólos de Canadá & Paterson, iluminando completamente o mundo imóvel do Tempo intermediário, solidez de Peiote dos corredores, aurora de fundo de quintal com verdes árvores de cemitério, porre de vinho nos telhados, fachadas de lojas de subúrbio na luz cintilante de neon do tráfego na corrida de cabeça feita do prazer, vibrações de sol e lua e árvore no ronco de crepúsculo de inverno de Brooklyn, declamações entre latas de lixo e a suave soberana luz da mente, que se acorrentaram aos vagões do metrô para o infindável percurso do Battery ao sagrado Bronx de benzedrina até que o barulho das rodas e crianças os trouxesse de volta, trêmulos, a boca arrebentada e o despovoado deserto do cérebro esvaziado de qualquer brilho na lúgubre luz do zoológico, que afundaram a noite toda na luz submarina de Bickford’s, voltaram à tona e passaram a tarde de cerveja choca no desolado Fuggazi’s escutando o matraquear da catástrofe na vitrola automática de hidrogênio, que falaram setenta e duas horas sem parar do parque ao apê ao bar ao Hospital Bellevue ao Museu à Ponte de Brooklyn, batalhão perdido de debatedores platônicos saltando dos gradis das escadas de emergência dos parapeitos das janelas do Empire State da Lua, tagarelando, berrando, vomitando, sussurrando fatos e lembranças e anedotas e viagens visuais e choques nos hospitais e prisões e guerras, intelectos inteiros regurgitados em recordação total com os olhos brilhando por sete dias e noites, carne para a sinagoga jogada na rua, que desapareceram no Zen de Nova Jersey de lugar algum deixando um rastro de cartões postais ambíguos do Centro Cívico de Atlantic City, sofrendo suores orientais, pulverizações tangerianas nos ossos e enxaquecas da China por causa da falta da droga no quarto pobremente mobiliado de Newark, que deram voltas e voltas à meia-noite no pátio da estação ferroviária perguntando-se onde ir e foram, sem deixar corações partidos, que acenderam cigarros em vagões de carga, vagões de carga, vagões de carga que rumavam ruidosamente pela neve até solitárias fazendas dentro da noite do avô, que estudaram Plotino, Poe, São João da Cruz, telepatia e bop-cabala pois o Cosmos instintivamente vibrava a seus pés em Kansas, que passaram solitários pelas ruas de Idaho procurando anjos índios e visionários que eram anjos índios e visionários, que só acharam que estavam loucos quando Baltimore apareceu em êxtase sobrenatural, que pularam em limusines com o chinês de Oklahoma no impulso da chuva de inverno na luz das ruas de cidade pequena à meia-noite, que vaguearam famintos e sós por Houston procurando jazz ou sexo ou rango e seguiram o espanhol brilhante para conversar sobre América e Eternidade, inútil tarefa, e assim embarcaram num navio para a África, que desapareceram nos vulcões do México nada deixando além da sombra das suas calças rancheiras e a lava e a cinza da poesia espalhadas na lareira Chicago, que reapareceram na Costa Oeste investigando o FBI de barba e bermudas com grandes olhos pacifistas e sensuais nas suas peles morenas, distribuindo folhetos ininteligíveis, que apagaram cigarros acesos nos seus braços protestando contra o nevoeiro narcótico de tabaco do Capitalismo, que distribuíram panfletos supercomunistas em Union Square, chorando e despindo-se enquanto as sirenes de Los Alamos os afugentavam gemendo mais alto que eles e gemiam pela Wall Street e também gemia a balsa de Staten Island, que caíram em prantos em brancos ginásios desportivos, nus e trêmulos diante da maquinaria de outros esqueletos, que morderam policiais no pescoço e berraram de prazer nos carros de presos por não terem cometido outro crime a não ser sua transação pederástica e tóxica, que uivaram de joelhos no Metrô e foram arrancados do telhado sacudindo genitais e manuscritos, que se deixaram foder no rabo por motociclistas santificados e urraram de prazer, que enrabaram e foram enrabados por esses serafins humanos, os marinheiros, carícias de amor atlântico e caribeano, que transaram pela manhã e ao cair da tarde em roseirais, na grama de jardins públicos e cemitérios, espalhando livremente seu sêmem para quem quisesse vir, que soluçaram interminavelmente tentando gargalhar mas acabaram choramingando atrás de um tabique de banho turco onde o anjo loiro e nu veio atravessá-los com sua espada, que perderam seus garotos amados para as três megeras do destino, a megera caolha do dólar heterossexual, a megera caolha que pisca de dentro do ventre e a megera caolha que só sabe ficar plantada sobre sua bunda retalhando os dourados fios intelectuais do tear do artesão, que copularam em êxtase insaciável com uma garrafa de cerveja, uma namorada, um maço de cigarros, uma vela, e caíram da cama e continuaram pelo assoalho e pelo corredor e terminaram desmaiando contra a parede com uma visão da buceta final e acabaram sufocando um derradeiro lampejo de consciência, que adoçaram as trepadas de um milhão de garotas trêmulas ao anoitecer, acordaram de olhos vermelhos no dia seguinte mesmo assim prontos para adoçar trepadas na aurora, bundas luminosas nos celeiros e nus no lago, que foram transar em Colorado numa miriade de carros roubados à noite, N.C. herói secreto destes poemas, garanhão e Adonis de Denver — prazer ao lembrar das suas incontáveis trepadas com garotas em terrenos baldios & pátios dos fundos de restaurantes de beira de estrada, raquíticas fileiras de poltronas de cinema, picos de montanha, cavernas ou com esquálidas garçonetes no familiar levantar de saias solitário à beira da estrada & especialmente secretos solipsismos de mictórios de postos de gasolina & becos da cidade natal também, que se apagaram em longos filmes sórdidos, foram transportados em sonho, acordaram num Manhattan súbito e conseguiram voltar com uma impiedosa ressaca de adegas de Tokay e o horror dos sonhos de ferro da Terceira Avenida & cambalearam até as agências de emprego, que caminharam a noite toda com os sapatos cheios de sangue pelo cais coberto por montões de neve, esperando que se abrisse uma porta no Bast River dando num quarto cheio de vapor e ópio, que criaram grandes dramas suicidas nos penhascos de apartamentos do Hudson à luz de holofote anti-aéreo da lua & suas cabeças receberão coroas de louro no esquecimento, que comeram o ensopado de cordeiro da imaginação ou digeriram o caranguejo do fundo lodoso dos rios de Bovery, que choraram diante do romance das ruas com seus carrinhos de mão cheios de cebola e péssima música, que ficaram sentados em caixotes respirando a escuridão sob a ponte e ergueram-se para construir clavicêmbalos nos seus sótãos, que tossiram num sexto andar do Harlem coroado de chamas sob um céu tuberculoso rodeados pelos caixotes de laranja da teologia, que rabiscaram a noite toda deitando e rolando sobre invocações sublimes que ao amanhecer amarelado revelaram-se versos de tagarelice sem sentido, que cozinharam animais apodrecidos, pulmão coração pé rabo borsht & tortillas sonhando com o puro reino vegetal, que se atiraram sob caminhões de carne em busca de um ovo, que jogaram seus relógios do telhado fazendo seu lance de aposta pela Eternidade fora do Tempo & despertadores caíram nas suas cabeças por todos os dias da década seguinte, que cortaram seus pulsos sem resultado por três vezes seguidas, desistiram e foram obrigados a abrir lojas de antigüidades onde acharam que estavam ficando velhos e choraram, que foram queimados vivos em seus inocentes ternos de flanela em Madison Avenue no meio das rajadas de versos de chumbo & o contido estrondo dos batalhões de ferro da moda & os guinchos de nitroglicerina das bichas da propaganda & o gás mostarda de sinistros editores inteligentes ou foram atropelados pelos táxis bêbados da Realidade Absoluta, que se jogaram da Ponte de Brooklyn, isto realmente aconteceu e partiram esquecidos e desconhecidos para dentro da espectral confusão das ruelas de sopa & carros de bombeiros de Chinatown, nem mesmo uma cerveja de graça, que cantaram desesperados nas janelas, jogaram-se pela janela do metrô, saltaram no imundo rio Passaic, pularam nos braços dos negros, choraram pela rua afora, dançaram sobre garrafas quebradas de vinho descalços arrebentando nostálgicos discos de jazz europeu dos anos 30 na Alemanha, terminaram o whisky e vomitaram gemendo no toalete sangrento, lamentações nos ouvidos e o sopro de colossais apitos a vapor, que mandaram brasa pelas rodovias do passado viajando pela solidão da vigília de cadeia do Golgota de carro envenenado de cada um ou então a encarnação do Jazz de Birmingham, que guiaram atravessando o país durante setenta e duas horas para saber se eu tinha tido uma visão ou se você tinha tido uma visão ou se ele tinha tido uma visão para descobrir a Eternidade, que viajaram para Denver, que morreram em Denver, que retornaram a Denver & esperaram em vão, que espreitaram Denver & ficaram parados pensando & solitários em Denver e finalmente partiram para descobrir o Tempo & agora Denver está saudosa dos seus heróis, que caíram de joelhos em catedrais sem esperança rezando por sua salvação e luz e peito até que a alma iluminasse seu cabelo por um segundo, que se arrebentaram nas suas mentes na prisão aguardando impossíveis criminosos de cabeça dourada e o encanto da realidade nos seus corações que entoavam suaves blues de Alcatraz, que se recolheram ao México para cultivar um vício ou as Montanhas Rochosas para o suave Buda ou Tanger para os garotos ou Pacifico Sul para a locomotiva negra ou Harvard para Narciso para o cemitério de Woodlawn para a coroa de flores para o túmulo, que exigiram exames de sanidade mental acusando o rádio de hipnotismo & foram deixados com sua loucura & suas mãos & um júri suspeito, que jogaram salada de batata em conferencistas da Universidade de Nova York sobre Dadaísmo e em seguida se apresentaram nos degraus de granito do manicômio com cabeças raspadas e fala de arlequim sobre suicídio, exigindo lobotomia imediata, e que em lugar disso receberam o vazio concreto da insulina metrasol choque elétrico hidroterapia psicoterapia terapia ocupacional pingue-pongue & amnésia, que num protesto sem humor viraram apenas uma mesa simbólica de pingue-pongue, mergulhando logo a seguir na catatonia, voltando anos depois, realmente calvos exceto uma peruca de sangue e lágrimas e dedos para a visível condenação de louco nas celas das cidades-manicômio do Leste, Pilgrim State, Rockland, Greystone, seus corredores fétidos, brigando com os ecos da alma, agitando-se e rolando e balançando no banco de solidão à meia-noite dos domínios de mausoléu druídico do amor, o sonho da vida um pesadelo, corpos transformados em pedras tão pesadas quanto a lua, com a mãe finalmente ****** e o último livro fantástico atirado pela janela do cortiço e a última porta fechada às 4 da madrugada e o último telefone arremessado contra a parede em resposta e o último quarto mobiliado esvaziado até a última peça de mobília mental, uma rosa de papel amarelo retorcida num cabide de arame do armário e até mesmo isso imaginário, nada mais que um bocadinho esperançoso de alucinação — ah, Carl, enquanto você não estiver a salvo eu não estarei a salvo e agora você está inteiramente mergulhado no caldo animal total do tempo — e que por isso correram pelas ruas geladas obcecados por um súbito clarão da alquimia do uso da elipse do catálogo do metro & do plano vibratório que sonharam e abriram brechas encamadas no Tempo & Espaço através de imagens justapostas e capturaram o arranjo da alma entre 2 imagens visuais e reuniram os verbos elementares e juntaram o substantivo e o choque de consciência saltando numa sensação de Pater Omnipotens Aeterni Deus, para recriar a sintaxe e a medida da pobre prosa humana e ficaram parados à sua frente, mudos e inteligentes e trêmulos de vergonha, rejeitados todavia expondo a alma para conformar-se ao ritmo do pensamento na sua cabeça nua e infinita, o vagabundo louco e Beat angelical no Tempo, desconhecido mas mesmo assim deixando aqui o que houver para ser dito no tempo após a morte, e se reergueram reencarnados na roupagem fantasmagórica do jazz no espectro de trompa dourada da banda musical e fizeram soar o sofrimento da mente nua da América pelo amor num grito de saxofone de eli eli lama lama sabactani que fez com que as cidades tremessem até seu último rádio, com o coração absoluto do poema da vida arrancado para fora dos seus corpos bom para comer por mais mil anos. ________________________ Outros textos de Allen Ginsberg: Arte é ilusão, pois eu não ajo Fico ou Parto – com constante alegria Meus pensamentos, embora céticos, são sagrados Santa prece para o conhecimento ou puro fato. Então enceno a esperança de que posso criar Um mundo vivo em torno de meus olhos mortais Um triste paraíso é o que imito E anjos caídos cujas asas perdidas são suspiros. Neste estado não mundano em que me movimento Minha Fe e Esperança são diabólica moeda corrente Em mundos falsificados, cunho pequenos donativos Em torno de mim, e troco minha alma por amor. Um Supermercado na Califórnia Muito venho pensando em ti nesta noite, Walt Whitman, enquanto caminho pela calçada sob as árvores, com uma incômoda dor de cabeça e olhando a lua cheia. Em meu faminto cansaço, e fazendo compras na imaginação, fui ao supermercado de néon e frutas, sonhando com tuas listagens! Que pêssegos e que penumbras! Famílias inteiras nas compras da noite! Corredores cheios de maridos! Mulheres nos abacates e bebês nos tomates! – e, você, Garcia Lorca, que estava fazendo diante dos melões? Te vi, Walt Whitman, sem filhos, velho comilão solitário, apalpando as carnes do refrigerador e lançando olhares aos jovens vendedores. Te ouvi perguntar a eles todos: quem matou as costeletas de porco? qual o preço das bananas? quem é meu Anjo, tu? Vagueei por entre as prateleiras brilhantes de latas, te seguindo e sendo seguido pelo detetive da casa, em minha imaginação. Percorremos os grandes corredores, juntos em nossa solitária fantasia, provando alcachofras, pegando todas as delícias congeladas, sem passar pela caixa. Para onde estamos indo, Walt Whitman? Dentro de uma hora as portas se fecham. Qual o caminho que tua barba hoje aponta? (Toco em teu livro e sonho com nossa odisséia no supermercado – e me sinto absurdo.) Iremos caminhar a noite por todas essas ruas solitárias? As árvores acrescentam sombras às sombras, luzes apagadas nas casas, ambos estaremos sozinhos. Andando e sonhando com a América perdida de amor, passaremos por automóveis azuis no estacionamento a caminho de nosso solitário refúgio? Ah, querido pai, de barbas cinzas, velho e solitário professor de coragem, que América te conheceu quando Caronte desistiu de empurrar seu barco e desceu-te na margem enfumaçada e ficou vendo o barco desaparecer nas negras águas do Letes? Presença em Gales Neblina fina que sobe o morro e descamba rios de vento que alisam árvores. De cada nuvem que ondula explode e passa um mesmo giro fundo evapora por cima de samambaias que prendem a pedra verde em franja mansa vista através da vidraça enquanto chove no vale Bardo, ó ser, Visitacione, não fale nada ou então diga somente o que esse homem já viu num vale em Álbion um povo cuja ciência termina na coerência ecológica das sábias relações terrestres dez séculos de trama tecida de olhos bocas visíveis pomares da linguagem da mente humanifesta um cardo em simetria satânica uma planta eriçada florindo no chão veloz sobre um centro de leves margaridas irmãs angelicais como lampadas – Além de Londres sua torre de espinhos suas cenas simétricas de TV em cadeia & o Ser do Bardo barbado, onde lembrar um dia como hoje no morro a nesga de carneiros balindo árvores no ouvido do velho Blake & a velha calma de Words – worth com os mudos pensamentos nela nuvens no esqueleto dos arcos passando em Tintern Abbey – Bardo Sem Nome do vasto assombro de tudo, rumor! Uma só coisa, o vale se esticava tremendo, o vento deitava em lençóis de musgo, grande força redonda que afogava a neblina na água fina vermelha dos riachos da encosta cujas ramas se torciam caladas calcadas em mistura granítica – e erguia também do chão o Espaço Nébulo erguia o braço das árvores e o capim do instante mantinha erguidos os carneiros parados alçava, numa onda solene, o dorso verde Sólido pedaço no Céu, gota de vale, toda a imensidão diminuta rolando em Llanthony Valley, em toda a área da Inglaterra coesa, vale em vale, sob o risco das doces toneladas do oceano do Céu Céu que se equilibra num fiapo de grama urro do morro vento lento e esse corpo um Ser, um perto Algum, visão da encosta cosendo em brilho e calma os equilíbrios fluindo, um gesto vara o escuro céu-chão e são milhões de margaridas que o fazem, é o gesto de uma Força Serena que induz o mato molhado até a rama mais distante de neblina fina aspergida na corola do morro – Nenhuma imperfeição no morro em flor Os vales respiram, céu e terra andam juntos margaridas engolem polegadas de ar verduras vergam átomos piscantes vegetam no capim em mandalas manchas espalhadas ruminam com olhos de carneiro vazios cavalos dançam na chuva quente árvores ladeiam canais em rede viva nos campos ermos paredões frutificam seios de espinheiros desabrocham colinas passam roceiros ermos cuspindo samambaias e ervas – passar entrar cair rolando no oceano de sons, rajadas cair no chão ó mãe ó grã-Mãe Úmida, jamais uma lesão em teu corpo! Pare vendo de perto, nada é imperfeito no mato, todaflor cada olhoflor um Buda, e a história se repete, a alma multiforme ajoelha perante botões quentes inquietos erectos, sinos dobrados no caule trêmula antena, & olhe vendo de dentro nos carneiros que espiam paradamente respirando sob folhas e gotas – Deito e misturo a barba no morro em pelo viscoso cheirando ileso o chão-vagina provando úmidas emanações violetas de penugem de cardo – Um ser tão vasto, em tão vertiginoso equilíbrio, que seu sopro mais fino afasta no assoalho dos olhos a flor mais quieta do vale treme em rendas de águateias na lãcapim dos carneiros suspende copas e raízes, pássaros na grande corrente levando o mesmo peso na chuva, a força eclusa gemendo chamando terra coração, junção de espantos. O grande mistério é o não-mistério os sentidos correspondem aos ventos o visível é visível o vale em ondas anda com uma barba de chuva átomos cinzentos desaguam na cabala do ar. A mente está de pernas cruzadas imóvel numa pedra e respira está elástica no capim mole e respira na beira de margaridas brancas na estrada. O sopro do Céu desce ao umbigo, minha própria simetria descamba, sopram samambaias rasgadas cujas frondes me aspiram, sopra o mesmo agora vento de Capel-Y-Ffn, sons de Aleph e Aum na vegetação dos ossos na massa de cartilagens-paisagens crânios e colinas iguais numa só Álbion. Que foi que eu vi? Detalhes. A visão do grande Um pluriforme – marcas de fumaça subindo no calor silencioso da casa marcas de uma noite que embarca vazia de estrelas porém ainda molhada de gestos no céu preto dos ventos. Tradução de Leonardo Fróes Entrevista com Allen Ginsberg A Folha publicou entrevista inédita com o poeta beat norte-americano morto dois dias antes, aos 70, em Nova York. Eduardo Simantob da Publifolha A morte de Allen Ginsberg, ocorrida anteontem, não deixa lacunas. Durante meio século o escritor americano dedicou-se não só a uma extensa obra poética, como também ao ensino da literatura como ato de liberdade e militância político-ambiental. E a mensagem já está dada. Ginsberg escreveu bastante, falou mais ainda e participou combativamente das transformações da América do pós-Guerra. Lutou contr Assine E-mail SAC Canais a a censura, combateu a proibição do LSD (1966), protestou contra a guerra do Vietnã, contra as armas nucleares e militou pela preservação da natureza. Em 1994, Ginsberg foi procurado pela Folha para falar sobre o escritor William Burroughs, que na época completava 80 anos de idade. A entrevista, inédita, acabou se estendendo à sua poesia, ativismo e ecologia. A seguir alguns trechos. Folha – Como o senhor resumiria a importância de William Burroughs na literatura americana? Allen Ginsberg – Burroughs tem uma influência na cultura dominante americana muito maior do que ele mesmo imagina. Devido ao processo contra seu livro ”Almoço Nu”, ele abriu as portas da censura para que novos autores escrevessem o que quisessem. Muitos dos seus temas continuam e continuarão importantes, como controle do pensamento, drogas, sexualidade gay, Estados policiais etc. Mesmo na cultura pop, bandas como Steely Dan e Soft Machine devem seus nomes a títulos de livros seus e, mais ainda, à técnica dos cut-ups (colagem de textos e imagens não tão ao acaso, desenvolvida por Burroughs e pelo pintor Brion Gysin nos anos 60). Folha – E o senhor experimentou também os cut-ups? Ginsberg – Só no começo, mas essa técnica foi incorporada por vários escritores, como Dennis Cooper e Hunter Thompson, sem falar dos músicos. Os garotos do U2 outro dia vieram me mostrar um videoclipe (da turnê ”Zootour”) influenciados pelo cut-up. Folha – Mas o cut-up não é uma técnica original, os dadaístas e surrealistas do início do século… Ginsberg – Sim, eles faziam algo que se chamava ”corpos estranhos”. Dois artistas trabalhavam numa mesma tela sem saber o que o outro fazia, depois juntavam tudo. Mas o cut-up não é um processo inconsciente, é uma forma de dar sentido a esse inconsciente. Folha – O senhor trabalhava o cut-up na sua poesia? Ginsberg – Não exatamente. Eu também fotografo e desenho. Nas fotos eu escrevia notas sobre as coisas que estavam acontecendo quando foram tiradas. Ao juntá-las tenho toda uma história contada de um modo não usual. Folha – Hoje os ”beats” estão virando moda na América, a mídia dando às suas obras um espaço até hoje inédito. Isso é uma surpresa? Ginsberg – Não. Creio que a obra ”beat” é tão forte que já pode ser tomada como referência literária. Nós tocamos em questões permanentes: o império americano, ecologia, revolução sexual, censura. Também há a questão do ”terceiro caminho”, nem comunismo nem capitalismo, que pregávamos enquanto os intelectuais procuravam extremos do marxismo ou do anticomunismo. Nossa preocupação é alterar estados de consciência e achar soluções ecológicas, não ideológicas. Folha – Mas isso também pode levar a interpretações variadas do que se diz ou escreve, não? Ginsberg – Meu negócio é poesia. Ao produzir não posso controlar o que as pessoas farão depois, dizer o que elas devem fazer com suas próprias mentes. E nem gostaria, eu seria um ditador. O melhor que posso fazer é propor alternativas e me abrir às pessoas que queiram aprender comigo. Folha – E qual é sua principal preocupação hoje? Ginsberg – O problema básico é o da hipertecnologia consumindo o planeta numa escala que destruirá as possibilidades humanas. Li hoje uma entrevista de Jacques Cousteau (oceanógrafo francês) em que ele diz: ”Estou agora lutando pela minha própria espécie, buscando conceitos para as gerações futuras”. Para ele, o divórcio entre a humanidade e a natureza é irreversível, mas o homem deve se lembrar que ainda depende da natureza. Mas, como eu, ele tem esperança no futuro. Folha – E há futuro na literatura americana? Ginsberg – Há um presente. Quem estiver escrevendo, em qualquer língua, está levando a literatura para frente, mas deve sempre se lembrar que a imortalidade só vem depois. Sutra do Girassol Caminhei nas margens do abandonado cais de lata onde outrora descarregavam banana e fui sentar na sombra enorme de uma locomotiva lá perto para olhar e chorar o sol morrendo em ladeiras sobre as casas todas iguais. Jack amigo Kerouac sentou-se ao lado no ferro de um mastro roto partido e a gente caiu na maior fossa do mundo, os dois ilhados, dois contidos na rede das raízes de aço, e eu e Jack pensando os mesmos pensamentos da alma. No rio a correnteza de óleo refletia o céu rubro, o sol caía pelas alturas finais de San Francisco, sem que houvesse peixe nessas águas, sem que houvesse um ermitão nas montanhas, só a gente com olhos de ressaca e remela, feito vagabundos, cheios de astúcia e cansaço. Olha só um girassol, Jack então disse, e havia o vulto inerte e cinzento seco, do tamanho de um homem, recostado num monte milenar de serragem. – Eu pulei de alegria e era o primeiro girassol de minha vida, eram memórias de Blake – essas visões – o Harlem e os rios do inferno-leste, sanduíches indigestos trotando um ranger de pontes, carrinhos de bebê encalhados, esquecidos pneus de bojo negro careca, penicos & camisas-de-vênus, o poema da margem, canivetes, nada inox, só o mofo o lixo de tantas coisas cortantes cujo fio passava para o passado – e o cinzento girassol se equilibrando ao sol-posto, desmanchando-se abatido na invasão da fuligem, da fumaça, do pó de velhas locomotivas no olho – corola e também coroa com as pontas amassadas virando, com sementes despencando do rosto, rompendo em breves dentes um dia claro, raios de sol grudando em seu cabelo riscado como uma exangue teia de aranha de arame; caule com braços-folhas jogados, os gestos da raiz de serragem, pedaços de reboco minando nos galinhos queimados e uma mosca estagnada no ouvido, você de fato era uma incrível coisa imprestável, ó meu girassol minha alma, e como eu te amei então! sujeira não era parte do homem, era a parte da morte e das locomotivas humanas, simples roupa empoeirada, o simples véu da pele férrea, a cara da fumaça, as pálpebras da escura miséria, a mão ou falo ou tumor mortiço do imundo motor moderno industrificial disso tudo, o bafo da civilização poluindo tua coroa muito louca de ouro – esses turvos pensamentos de morte, a grande falta de amor em fins e olhos tapados, raízes abafadas em areia e serragem, os dólares raspantes elásticos, o couro das máquinas, as tripas enroscadas de um carente carro que tosse, as solitárias latas baratas com línguas rotas de fora, e o que mais seja, a cinza que escorre pela boca na ereção de um charuto, a boceta de um carrinho de mão, ou os seios acesos de viaturas lácteas, o rabo gasto que as cadeiras expelem, o esfíncter dos dínamos – tudo isso embolado nas raízes-múmias – e você aí de pé na minha na tarde da minha frente, a sua glória em sua forma! beleza perfeita, um girassol! uma tranqüila e girassol existência excelente e perfeita! um olho doce natural para a melancolia da lua nova, desperto vivo excitado sacando no crepúsculo sombra a brisa mensual de ouro aurora! enquanto você lançava blasfêmias para o céu da via férrea e sua própria floralma, quantas moscas zumbiram na sua extrema imundície sem ligar para nada? Quando, flormortapobre, você esqueceu que é uma flor? quando olhou sua pele e decidiu que era a velha suja locomotiva impotente? o fantasma de uma locomotiva? o espectro e sombra de uma já poderosa locomotiva americana maluca? não, girassol, você não foi locomotiva nunca, você foi sempre um girassol! você, locomotiva, você é o motivo louco de sempre, a locomotiva! pensando isso peguei o grosso girassol esqueleto e o finquei a meu lado como um cetro fiz o meu sermão à minha alma, e também à de Jack, e tambérn à de todos que ainda queiram ouvir: Não somos a sujeira da pele, não somos nossa locomotiva medonha triste poeirenta com ausência de imagem, nós somos todos uns lindos girassóis por dentro, somos sagrados por nossas próprias sementes & peludos pelados dourados corpos de ação virando girassóis ao crepúsculo loucos girassóis formais e negros que esses olhos espiam na sombra da locomotiva maluca margem beira San ladeiras Francisco tarde de lata sol-posto sentar-se vision. Tradução de Leonardo Fróes

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A Regra do Jogo – 1939 – Jean Renoir

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 13:29
 

Sinopse:
O filme mostra um grupo de aristocratas e burgueses, reunidos em uma mansão para um fim-de-semana de caça, e seu envolvimento com a criadagem que está lá para servi-los. O francês André Jurieu (Roland Toutain) é um herói da aviação que se apaixonou por Christine de la Chesnaye (Nora Gregor), casada com o poderoso aristocrata Robert de la Chesnaye (Marcel Dalio). Sem saber da atração do aviador por sua esposa, o nobre convida a ele e a um outro amigo (interpretado pelo próprio Jean Renoir) para passar o fim-de-semana em sua casa de campo. Isso desencadeia uma série de fatos que tem como objetivo maior criticar e expor a decadência moral da alta sociedade francesa.
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Ficha Técnica
Título no Brasil: A Regra do Jogo
Título Original: La règle du jeu
País de Origem: França
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 110 minutos
Ano de Lançamento: 1939
Direção: Jean Renoir
IMDB: 8.0
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Elenco
Nora Gregor … Christine de la Cheyniest
Paulette Dubost … Lisette, sa camériste
Mila Parély … Geneviève de Marras
Odette Talazac … Madame de la Plante
Claire Gérard … Madame de la Bruyère
Anne Mayen … Jackie, nièce de Christine
Lise Elina … Radio-Reporter
Marcel Dalio … Robert de la Cheyniest
Julien Carette … Marceau, le braconnier
Roland Toutain … André Jurieux
Gaston Modot … Edouard Schumacher, le garde-chasse
Jean Renoir … Octave
Pierre Magnier … Le général
Eddy Debray … Corneille, le majordome
Pierre Nay … Monsieur de St. Aubin
Richard Francoeur … Monsieur La Bruyère
Léon Larive … Le cuisinier
Nicolas Amato … L’invité sud-américain
Henri Cartier-Bresson … Le domestique anglais
Celestin … Le garçon de cuisine
Tony Corteggiani … Berthelin
Roger Forster … L’invité efféminé
Camille François … Le speaker
Jenny Hélia … La servante
André Zwoboda … L’ingénieur
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Dados Do Arquivo
Tamanho: 700 MB
Qualidade: DVDRip
Áudio: Francês
Legenda: Pt-Br

DOWNLOAD TORRENT E LEGENDA
 
Filme basico da história do cinema de arte, angulos absolutamente pessoais e sombras que criam um clima
admiravel na obra critica da decadencia moral da  alta sociedade
francesa!
 
guedes
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11/11/2010

TEOREMA – Pier Paolo Pasolini- 1968

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 10:47

 

 

Sinopse:
A vida de uma rica familia burguesa de Milão e totalmente desestruturada com a visita misteriosa de um jovem que se hospeda em sua casa. Após seduzir a empregada, a mãe, o filho, a filha e por ultimo o pai, ele parte sem dar maiores explicações, deixando um vazio na existência de cada um.
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Ficha Técnica
Título no Brasil: Teorema
Título Original: Teorema
País de Origem: Itália
Gênero: Drama | Mistério
Tempo de Duração: 98 minutos
Ano de Lançamento: 1968
Estúdio/Distrib.: Cult Classic Filmes
Direção: Pier Paolo Pasolini
IMDB: 7.1
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Elenco
Silvana Mangano … Lucia, the mother
Terence Stamp … The Visitor
Massimo Girotti … Paolo, the father
Anne Wiazemsky … Odetta, the daughter
Laura Betti … Emilia, the servant
Andrés José Cruz Soublette … Pietro, the son
Ninetto Davoli … Angelino – the Messenger
Carlo De Mejo … boy
Adele Cambria … Emilia – the second servant
Luigi Barbini … Boy at the station
Giovanni Ivan Scratuglia … Second boy (como Ivan Scratuglia)
Alfonso Gatto … Doutor
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Dados Do Arquivo
Tamanho: 698 MB
Qualidade: DVDRip
Áudio: Italiano
Legenda: Pt-Br

DOWNLOAD TORRENT E LEGENDA

O Famoso critico , cineasta e poeta italiano num filme polemico,
diretor de outros filmes como ” O Evangelho Segundo  São Mateus” , ” Salô ” , ” Edipo Rei ” e a famosa Trilogia da Vida .
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10/11/2010

A ROSA TATUADA – 1955

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 15:13


Sinopse:
Viúva obcecada com a morte do marido enclausura-se e afasta qualquer possibilidade de retomar sua própria vida, levando a filha consigo em seu martírio. Quando menos espera, um charmoso caminhoneiro italiano desperta novamente sua paixão adormecida, enquanto a filha descobre a sexualidade à própria maneira. Belíssimo clássico estrelado por Burt Lancaster e Anna Magnani que, para variar, rouba a cena do filme com uma atuação visceral. Roteiro baseado em peça de Tennessee Williams.
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Ficha Técnica
Título no Brasil: A Rosa Tatuada
Título Original: The Rose Tattoo
País de Origem: EUA
Gênero: Drama | Romance
Tempo de Duração: 117 minutos
Ano de Lançamento: 1955
Estúdio/Distrib.: Lume Filmes
Direção: Daniel Mann
IMDB: 7.1
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Elenco
Anna Magnani … Serafina Delle Rose
Burt Lancaster … Alvaro Mangiacavallo
Marisa Pavan … Rosa Delle Rose
Ben Cooper … Seaman Jack Hunter
Virginia Grey … Estelle Hohengarten
Jo Van Fleet … Bessie
Sandro Giglio … Father De Leo
Mimi Aguglia … Assunta
Florence Sundstrom … Flora
Albert Adkins … Mario
Don Bachardy … Passenger in Back Seat of Car
Larry Chance … Rosario Delle Rose
Lewis Charles … Taxi Driver
Roger Gunderson … Doctor
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Dados Do Arquivo
Tamanho: 700 MB
Qualidade: DVDRip
Áudio: Inglês
Legenda: Pt-Br

DOWNLOAD TORRENT E LEGENDA

Sou um profundo admirador das obras teatrais de Tennessee Williams, grande parte se transformou em preciosos filmes como ” Boneca de Carne”
, ” Gata em Teto de Zinco Quente ” e a ” Noite de Iguana ” entre outros.
Abaixe e Confira !
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Berlin Alexanderplatz

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 12:22

[PEDIDO] Berlin Alexanderplatz [Berlin Alexanderplatz] (1980) DVDRip

 

Sua Opinião: 

 

Sinopse:
Franz Biberkopf é um homem calmo, doce, delicado, mas também rude, violento e brutal, que vive na Berlim do final dos anos 1920. Ele anda pela cidade sem perspectivas, objetivos ou trabalho. A única coisa que o mantém em pé é a crença de que os seres humanos são bons, independentemente do quanto possam ser nocivos. A história começa quando Franz Biberkopf deixa a cadeia de Tegel, após cumprir quatro anos de prisão por homicídio. Andando sem rumo pelas ruas de Berlim, decide começar uma nova vida. Ele tem poucas pessoas com quem pode contar: sua ex-namorada Eva, agora uma prostituta de luxo, e o prático dono da hospedaria e sua esposa. Mas ninguém consegue trabalho para ele. Sentindo-se inútil, indesejado e desprezado, entrega-se à bebida. Com uma duração aproximada de 15 horas, “Berlin Alexanderplatz” é um monumento da arte cinematográfica do final do século 20. Muitos o consideram como a expressão máxima da visão humanista do grande cineasta Rainer Werner Fassbinder.
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Ficha Técnica
Titulo Traduzido: Berlin Alexanderplatz
Titulo Original: Berlin Alexanderplatz
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 1980
Tempo de Duração: 894 Min
País de Origem: Alemanha do Oeste
Director: Rainer Werner Fassbinder
IMDB: 8.8
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Elenco
Günter Lamprecht … Franz Biberkopf
Claus Holm … Wirt
Hanna Schygulla … Eva
Franz Buchrieser … Gottfried Meck
Brigitte Mira … Frau Bast
Karlheinz Braun … Rechtsanwalt Löwenhund
Roger Fritz … Herbert
Gottfried John … Reinhold Hoffmann
Barbara Sukowa … Mieze
Günther Kaufmann … Theo
Ivan Desny … Pums
Volker Spengler … Bruno
Vitus Zeplichal … Rudi
Barbara Valentin … Ida
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Dados Do Arquivo
Tamanho: 11.2 GB
Qualidade: DVDRip
Áudio: Alemão
Legenda: Pt-Br

DOWNLOAD TORRENT E LEGENDA (Mini-Série)

Fassbinder que dirigiu ” Querelle ” do grande escritor transgressor Jean
Genet, realizou este monumento do cinema mundial, digerir esta obra
cinematografica é um desafio à compreensão da realidade humana.
guedes
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Ao Carlos Guedes

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 11:54

Poeta !  Amigo distante dessa tristeza inevitável

que vemos emergir das jóias entre cicutas;

Venha dar um drago comigo! Depois que voce

devorar os grilis e gelos poluidos da cidade.

Os músculos tremem de paixão, o penhasco te

ama em espasmos fúnebres e divinos.

 

E o osso está fraturado – não aguentou tanta

profecia laboriosa , onde é invisível

para vistas acres ! Tens um cavernoso furor carmesim

cingindo o peito flamejante de cinzas !

Mas que belas cinzas de batel solitário !

 

Lago que derrama-se na tez do sol louco;

vistas embaladas nesse distender de bandeiras

murchas, criando pregas em cada curva

Dessa vida – e você ainda é menino caminhando

entre plantações de esmeraldas e trigos _

que são um escarro alaranjado dos

olhos do céu surrealista.

Catalisador do deserto maldito que lateja ! Fere

os pés inchados de tanta tortura distorcendo

os lábios de voz amarga!

Você é deserto incansável perto de multidões

tagarelas e chatas.  A melancolia dos seus

castiçais  dá virtude para os esgotos.

Poeta ! Venha sangrar e tragar a palavra viajante ;

vês o langor e vazio como a coragem

um correr tolo ao lado; o verdadeiro valor

das coisas impalpáveis se achar explode

em ti .Voce recria o impossivel em ti :

maldito das sinfonias seculares perfeitas caindo

no chorar decepção no velho futuro intratável.

André Siqueira.

André de Siqueira é um poeta da nova geração de jacareí, profundo devorador de rimbaud, baudelaire, lautreamont, busca a subversão da linguagem bebendo no cálice amargo

da dôr de toda dissolução humana, poesia escrita no visionario de sua linguagem anti-coloquial,

obrigado querido amigo poeta!

 

 

 

de toda dissolução humana. Escreveu esta poesia especialmente para mim

 

busca a subversão da linguagem

 

 

 

 

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08/11/2010

Antigas Raizes

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 10:53

Deixarei minhas palavras soltas

fugirem leves entre flocos de algodão,

cruzando o triste

limite dos sonhos,

enfeitarei o horizonte com balões coloridos

não esquecendo  as côres mais sordidas

por serem as mais tristes,

beberei uma agua cristalina

roubada da nascente vázia das palavras

e transportarei troncos

e antigas raizes de arvores

por entre as correntezas se despojando  de infinito,

procurarei saber se o gosto visual

da flôr é capaz de me enlouquecer

diante do tempo,

olharei para o dentro dos mapas

e meu roteiro

será sempre o desespero

uma eterna viagem feita de desconhecido

e recoberto de palavras ansiosas,

aprenderei com ospoetas

a lêr o que fica escondida no crepusculo

depois deixarei

o sol fugir da minha péle

de minha noite

para iluminar o mundo

com palavras viajantes !

carlos guedes

Comments (1)

03/11/2010

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 15:46

Vozes Espirituais (1995)

Marcadores: , , 0 Comentários

Sinopse:
Documentário filmado na fronteira do Tadjisquistão com o Afeganistão, dura cinco horas e meia e está dividido em cinco partes. O filme mostra a guerra estabelecida na região naquele momento, bem como os exercícios dos soldados. Que ora passam o tempo à espera do conflito, ora estão em meio às batalhas de fato. Segundo o relato do diretor Sokurov, “Só existia uma certeza: sempre haveriam vítimas, parentes ou amigos. Sempre a mesma angústia e sensação de abandono.”O que fica depois deste filme é uma fala, das mais duras que já vi na obra do Sokurov:
“Na guerra não há espaço para estética, para arte, do primeiro ao último tiro é tudo sangue, poeira e dor.” Este filme é uma meditação sobre esta dor, que não tem dono, espalha-se por tudo.
Elenco:
Soldados Russos
Aleksandr Sokurov – Narrador
Ficha Técnica:
Gênero: Documentário
Diretor: Aleksandr Sokurov
Duração: 327 minutos
Ano de Lançamento: 1995
País de Origem: Rússia
Idioma do Áudio: Russo
Dados Do Arquivo
Tamanho: 2,7 Gb
Qualidade: DVDRip
Legenda: pt-br
Download Torrent e Legenda
 
Filme russo de alekandr Sokurov, vale a pena conferir esta obra
prima !
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Orides Fontela – Poesias

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 15:09



 

                    Que século, meu Deus! disseram
                    os ratos.

                          III
 
                      Perdi o bonde
                      (e a esperança), porém
                      garanto
                      que uma flor nasceu.

                            IV
                       Ôpa, carlos:desconfio
                       que escrevi um poema!

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CINE TELA BRASIL – ENTRE LAÇOS

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 10:23

O Filme retrata uma busca no presente de um gesto que

se estende alem da metafora de amarrar um tenis, é  o

caminhar para dentro de um passado que acaba virando uma

obsessão, o deslizar superfluo pela leveza do existir em funçao

do tempo, seu caminhar é sempre isolado, vai definindo suas

frustações, seu buscar é a tentativa de apreender um laço de

ternura para dentro de sua solidão, tem em seu caminhar  a

esperança de um encontro entre o passado e o presente ,

momentos que podem conjugar o prazer ao riso solto ,  quase

enlouquecido, pois é o momento  que estrutura o lado

psicologico de sua existencia à realidade de suas obsessões.

Assistam o curta e deixem suas impressões !

http://www.youtube.com/watch?v=IeiNndjje5I 

Marcela  -  Entre Laços

Marcela - Entre Laços

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17/09/2010

Rei Lear da INglaterra (Korol Lir )

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 16:05
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IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0064553/

Download AVI

http://rapidshare.com/files/205134210/Korol_Lir_cd1.part01.rar
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CD2

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http://rapidshare.com/files/206058957/Korol_Lir_cd2.part11.rar

TORRENT

LEGENDAS EM PORTUGUÊS

filme de nuances e cores de dramaticidade que este grande diretor russo consegue imprimir com a mesma qualidade de outros filmes dirigidos como Hamlet e Don Quixote !

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E-mail de Flores e Lixo

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 15:01

A poesia não me chega mais

estão coliridos de risos fabricados

e rostos mecanizados de mentiras

no fundo dos olhos,

a palavra de antes

agora é capaz de enterrar sonhos,

onde antes a poesia

agora o e-mail mastigando ódio

depois do perfume de palavras poéticas

agora adormecidas,

sinto o rastrear de corvos adubando

sobre lixo

a longa noite desencontrada,

corvos negros negros

escondendo auroras,

onde antes a embriagues das palavras

costuradas de perfeição

agora fotos de palavras  frias,

meu Deus

porque o cotidiano de tudo

onde os longos voos

de palavras se enfeitando de infinitos,

porque jogar o lixo da politica

no cristalino das palavras,

onde o translucido,

a transmutação do prazer

feita palavra,

agora recebo doentias reservas,

palavras codificadas

que se esparramam como sementes em cordilheiras

prevendo uma floresta

de malditos  e envelhecidos frutos,

onde antes o e-mail festejava palavras

agora agoniza cantos,

trocam a luz de um antigo verbo

pela sombra,

da antiga admiração resta o desengano de tudo,

a vontade de não ser mais cultura,

trabalhar uma nova terra

em que a simplicidade e o amor

trarão novos frutos,

abandonar-me dentro de um anonimato

ser o desconhecido de viajantes vielas

e arruinadas ruelas

e gritar

_ Por favor preservem meu e-mail

destes pequenos lixos

e do fundo

da minha sombra estarei gritando:-

obrigado…obrigado…

carlos guedes

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24/08/2010

OLHAR DE NÃO VER

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 11:32

Nero de Deus - Pàssaros Viajantes

 

 

 

Tenho olhos de nâo vêr

sentidos para não ser,

cruzo a vida

pelos caminhos das palavras,

nelas me perco

apenas sonho esquecer

a podridão simples das côres

retidas das flôres,

a lentidão rouca das palavras

que teimam em fugir da alma

para cair num abismo

de solidão,

as sementes da memória

geraram arvores sombrias,

minha dôr

ficou esquecida no espelho

de minha triste imagem.

guedes

 

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20/08/2010

Eu e Lucio Cardoso

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 14:54

Um  poeta, criador de sombras e pesadelos, fixadas na alma de tortuosas esperanças, as palavras percorrem veias subterraneas

e deslizam como um  guspo amargo pelas entranhas abissais do corpo, trazendo a ilusão do nada,

fico dolorosamente e desgraçadamente perdido entre folhagens sêcas, aguas impróprias, me sentindo afogado no meio de um

lamaçal  de lembranças,

me colocando no limite do indizivel

sabendo que a realidade é um passaro noturno, vagando na minha imaginação !

carlos guedes

 

AMANHECER – LUCIO CARDOSO
A noite está dentro de mim,
girando no meu sangue.
Sinto latejar na minha boca,
as pupilas cegas da lua.
Sinto as estrelas, como dedos
movendo a solidão em que caminho.
Logo o perfume da poesia
sobe aos meus olhos trêmulos, cerrados,
ouço a música das coisas que acordam
sôbre o corpo negro da terra
e a voz do vento distante
e a voz das palmeiras abertas em raios
e a voz dos rios viajantes.
 
E a noite está dentro de mim.
Como um pássaro,
meu sonho ergue as asas no coração da sombra.
Ouço a musica das fiôres que tombam,
o tropel das nuvens que passam
e a minha voz que se eleva
como uma prece na planície solitária.
 
Então sinto a noite fugindo de mim,
sinto a noite fugindo dos homens
e o sol que avança na garupa do mar
e as nuvens curvas que enchem o céu
como grandes corcéis de fogo côr-de-rosa
desaparecendo sugados pela treva.
 

Lucio Cardoso
Poesias, 1941

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GALILEU – BRECHT

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 13:29

Gênero: Drama

Diretor: Joseph Losey

 Ver e Pensar ! O Teatro de Brecht pelas mãos do diretor Ingles Joseph Losey. Um filme precioso por revelar as inquietações e o cepticismo de Brecht diante de seu tempo e do que viria depois !

LEGENDAS EM PORTUGUÊS

TORRENT

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19/08/2010

TRILOGIA MILLENIUM

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 16:42

Download Trilogia Millennium (2009) DVDRip torrent

Trilogia Millennium (2009) DVDRip torrent
A literatura policial sueca tem ao menos dois nomes contemporâneos bem-sucedidos de crítica e público, editados também no Brasil: Hakan Nesser e Henning Mankell. Mas nada se equipara ao sucesso de Stieg Larsson, cuja trilogia Millennium vendeu, desde o lançamento em 2005, quase três milhões de cópias somente na Suécia. A obra, editada em 35 países, chegou ao Brasil em setembro e já é uma das mais vendidas.

Na trilogia, Larsson espelhou boa parte de sua própria vida para criar o protagonista, Mikael Blomkvist, editor da revista Millennium. Ele é uma espécie de Poirot moderno, sempre as voltas com tramas cheias de reviravoltas. O que Larsson não poderia imaginar é que na vida real sua morte fosse contribuir com a aura de mistério e marketing em torno dos livros. O autor morreu repentinamente, aos 50, poucos meses após entregar os originais à editora Norstedts. Nem viu seu trabalho ser publicado.

E não é só em Hollywood que best-sellers ganham adaptações em celulóide. O primeiro capítulo da saga nórdica, Os Homens Que Não Amavam As Mulheres estreou na Suécia em fevereiro deste ano e já foi exibido em boa parte da Europa, com ótima recepção por onde passou, principalmente na Espanha. A versão cinematográfica do segundo livro, A Menina Que Brincava Com Fogo, também já foi lançada por lá. E a última, A Rainha do Castelo de Ar está agendada para fevereiro de 2010. Confira abaixo os filmes:

Os Homens que não Amavam as Mulheres (Män som hatar kvinnor)

Aos 14 anos de idade, a garotal Harriet Vanger desapareceu sem deixar rastro, em 29 de setembro de 1966. Quase quarenta anos depois, um jornalista com o nome de Mikael Blomqvist recebe uma missão incomum. Ele é contactado pela indústria líder Henrik Vanger, que quer que ele escreva a história da família Vanger. A crônica da família é apenas uma tampa para a atribuição real: para saber sobre o que realmente aconteceu com a Harriet. Mikael, que recentemente foi indiciado e condenado por crimes de calúnia, sente que ele precisa de uma pausa de seu trabalho na revista Millenium para assumir o cargo. Ele recebe a ajuda do jovem e perturbada hacker Lisbeth Salander. Juntos, o casal estranho começa a escavar no passado da família Vanger e conhece uma história obscura e mais sangrenta do que poderiam ter imaginado.
Ficha Técnica:
Título Original: Män som hatar kvinnor
País de Origem: Suécia,Dinamarca,Alemanha
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 152 minutos
Ano de Lançamento: 2009
Direção: Niels Arden Oplev
IMDb…7.6

Elenco:
Noomi Rapace …Lisbeth Salander
Michael Nyqvist…Mikael Blomkvist
Sven-Bertil Taube…Henrik Vanger
Peter Andersson …The Lawyer Nils Bjurman
Peter Haber…Martin Vanger
Marika Lagercrantz…Cecilia Vanger

A Menina que Brincava com Fogo (The Girl Who Played with Fire / Flickan Som Lekte Med Elden)

Segundo filme da trilogia Millenium – Baseado nos Livros de Stieg Larsson (o primeiro filme foi Os Homens que não Amavam as Mulheres / The girl with the Dragon Tattoo). Lisbeth parece uma garota frágil, mas é uma mulher determinada, ardilosa, perita tanto nas artimanhas da ciberpirataria quanto nas táticas do pugilismo. Mikael Blomkvist pode parecer apenas um jornalista em busca de um furo, mas no fundo é um investigador obstinado em desenterrar os crimes obscuros da sociedade sueca, sejam os cometidos por repórteres sensacionalistas, sejam os praticados por magistrados corruptos ou ainda aqueles perpetrados por lobos em pele de cordeiro. Um destes, o tutor de Lisbeth, foi morto a tiros. Na mesma noite, contudo, dois cordeiros também foram assassinados – um jornalista e uma criminologista que estavam prestes a denunciar uma rede de tráfico de mulheres. A arma usada nos crimes não só foi a mesma como nela foram encontradas as impressões digitais de Lisbeth. Procurada por triplo homicídio, a moça desaparece. Mikael sabe que ela apenas está esperando o momento certo para provar que não é culpada e fazer justiça a seu modo.
Ficha Técnica:
Titulo Original: Flickan Som Lekte Med Elden
Gênero: Suspense
Ano: 2009
Pais: Suécia/Dinamarca
Duração: 120 Min
Diretor: Daniel Alfredson

Elenco:
Noomi Rapace … Lisbeth Salander
Michael Nyqvist … Mikael Blomkvist
Sofia Ledarp … Malin Erikson
Lena Endre … Erika Berger
Georgi Staykov … Alexander Zalachenko
Micke Spreitz … Ronald Niedermann
Tanja Lorentzon … Sonja Modig
Annika Hallin … Annika Giannini
Peter Andersson … Bjurman
Per Oscarsson … Holger Palmgren
Yasmine Garbi … Miriam Wu

A Rainha do Castelo de Ar (Luftslottet som sprängdes)

Trilogia Millennium (2009) DVDRip torrent
Enquanto Lisbeth Salander se recupera no hospital, uma unidade secreta dentro da polícia está tentando desesperadamente apagar qualquer coisa que possa identificá-los e tentando colocar Lisbeth de volta ao hospital psiquiátrico, acusada de matar o seu pai.
Último filme da trilogia Millenium, completando Os Homens Que Não Amavam as Mulheres e A Menina que Brincava com Fogo.
Ficha Técnica:
Título Original: Luftslottet som sprängdes
País de Origem: Suécia,Dinamarca,Alemanha
Gênero: Suspense,Ação
Tempo de Duração: 140 min
Ano de Lançamento: 2009
Direção: Daniel Alfredson
IMDb: 7.0

Elenco:
Michael Nyqvist…Mikael Blomkvist
Noomi Rapace…Lisbeth Salander
Michalis Koutsogiannakis…Dragan Armanskij
Anders Ahlbom…Dr. Peter Teleborian
Hans Alfredson …Evert Gullberg
Tina Berg…Sjuksköterska
Alexandra Eisenstein..Journalist

Dados Do Arquivo
Tamanho: 3.5 GB
Qualidade: DVDRip
Legenda: Pt-Br

DOWNLOAD TORRENT E LEGENDA + TUTORIAL

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AS CINZAS DE ANGELA

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 16:28

Filme marcante pela Intensidade do drama, a dôr humana  tratada com uma fidelidade triste e encantadora  sentir a força de uma mulher em constante luta interior e o sentimento de estar só num mundo de incompreensões…vale a pena ver !

Download AVI

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TORRENT

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24/06/2010

Palavras à Rita Elisa Seda

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 15:45

Foi no clima de alegria e amizade que Carlos Guedes leu sua crítica à escritora Rita Elisa. Fiquei emocionada. Sendo ele um crítico de gabarito nacional, soube ver em cada crônica e poema o timbre forte da fotógrafa. É claro que pedi o manuscrito para mim, um deleite para meus olhos.

Rita Elisa é um poliedro de atividades que se cruzam pelas veredas da linguagem. Uma atividade quase febril de total dedicação em cruzar os limites da crônica, da poesia e da biografia, a linguagem constituída em ramagens de primaveras, edificada em raro momento em que passado e presente vão se entrecruzando. Reivindicando uma caminhada de encontros e palavras, em busca de significados agita-se diante de um mundo subjetivo com o olhar de uma fotógrafa enquadrando todas as cores numa rua formada de ipês amarelos, é a vida em sua totalidade. O artefato de lançar pipas ao vento dos sonhos, tornando a memória aliada dos sons apenas indagando pela natureza, invisíveis ao sentido, é o agitar de folhas, o despencar dos frutos e a odisséia de sementes fecundadas de alegria.
 

 
É no dentro das palavras que sinto as emoções ressurgirem transformadas por essa visão subjetiva, estruturadas dentro dos sonhos, as palavras realçadas e cerzidas por mãos determinadas a decifrar o mistério da existência, o desafio dos encontros, o doar-se para a construção plena, o deslizar do pensamento para dentro dos sonhos. A palavra é sugerida como passaporte para paisagens pintadas com tintas de rara emoção e sensibilidade, o que torna a poesia, a crônica, um grande manifesto expressivo de emoções até então adormecidos, sua obra traz essa convivência com a ternura, o cotidiano jogado para dentro das emoções, o carinho do ninar palavras e adormecê-las dentro do coração, é o cruzar de uma visão lenta e precisa e jogando para dentro de uma ternura universal, o aprendizado da transformação, a metamorfose das lembranças revelando o cheiro doce do passado e o sabor das palavras.


A poeta Rita Elisa traz o jogo universal de encontros e perdas, destranca a porta da alma e escapa minuciosamente para fora, desvendando a luz do sol, colhendo com suas mãos o calor da claridade que viram palavras e perdem-se no céu azul dos sonhos. Rita é esta poeta determinada a refazer a vida pela escrita, sua matéria transformadora é a realidade fixada no tempo, pois com sua criação literária, torna-se atemporal e estabelece a precisão de criar lirismo, fantasias e sonhos coloridos sobre o tempo que exige estas precisas transformações.

Carlos Bueno Guedes
Poeta e crítico literário
Jacareí – SP

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23/06/2010

Ludmila entrevista Guedes

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 12:41

Ignacio de Loyola Brandão e Carlos Guedes

Há alguns anos atrás, eu publiquei uma coluna na Revista Perfil Mulher chamada “Impressões Digitais”. Ela foi um sucesso, tanto que, depois, eu a relancei no Jornal “O Tablóide Cultural” de Jacareí e no jornal Saviver, da Vista Verde SJC. A idéia era apresentar aos leitores os meus amigos queridos, pessoas que eu admiro muito e respeito pelo talento e criatividade, através de uma brincadeira com palavras, como gosto.
Agora, virtualmente, eles estarão aqui, a cada semana, para que vocês que me visitam, também os conheçam. E, para inaugurar essas “Impressões Digitais” virtuais, trago para esse blog Carlos Bueno Guedes. Guedes, além de ser meu amigo de vida inteira, é a pessoa que mais entende de literatura e teatro aqui no Vale. Um homem de sensibilidade à flor da pele, uma pessoa linda, que se entrega à arte, diariamente, numa comunhão de corpo e alma!Jacareiense, poeta, autor e ator teatral, crítico literário, Guedes é um apaixonado por literatura, viciado em sebos, bibliotecas, teatro, cinema, música e poesia. Um beijo, Guedes!

Parafraseando Jabor… amor é prosa, sexo é poesia?
Sexo é poesia principalmente quando se consegue tocar na pele da palavra, buscando sua intimidade, numa caricia leve, incontida de fantasias.
Inspiração, respiração ou transpiração fazem um bom poeta?
Um bom poeta é aquele que transpira metáforas.
Como você preenche o vazio?
Fugindo para outros vazios e outras sombras, costurando cotidianos em retalhos de paixão.

Qual a justa medida da escrita?
Que a escrita seja esculpida entre blocos de barro, sangue, sonhos e pesadelos com palavras contidas, dominadas e antes de tudo sonhadas.
Qual o poeta mais completo?
Aquele que consegue tocar na face de seus espelhos.
O que faria se encontrasse Deus no pasto?
Falaria de estercos, flores e sementes.
Que conselho daria a um aprendiz de escritor?
Que ele nunca tente ser mais importante que as palavras e que leia muito… muito…
O que devora o homem?
Cultivar a ociosidade e aceitar passivamente o mundo sem questioná-lo.
Dor existencial tem remédio?
O remédio é aceitar o desafio de olhar pra dentro dela.
Que autor marcou sua trajetória?
Lucio Cardoso, Adonias Filho, Clarice Lispector, Octavio Paz, Dostoievski e muitos mais…
O melhor romance é aquele que….
Não te toca pelo vazio, mas pela sua totalidade existencial.
O que tira seu fôlego?
Correr atrás das palavras, elas sempre tem a possibilidade da fuga, são livres…
Qual percurso é mais tortuoso?
A vida.
A solidão é a melhor companheira?
Principalmente na escrita, pois consigo olhar-me de maneira universal.
Qual seria seu último ato entre quatro paredes?
Pintá-las com as cores da imaginação e nelas pendurar quadros e fotografias da memória formada de palavras e encantamento.
Como abastece a mente?
Amontoando idéias, fatos, notícias, repensando cotidianos, colando frases e principalmente acreditando no nada.
Ter fé é….
Não deixar de acreditar.

Santo de casa faz milagre?
Não! O milagre é sua eterna e vigiada solidão.

Arte se faz com…
Com criatividade e ousadia.
Defina o Vale do Paraíba
Um continente de pequenas ilhas, cortado por um rio que consegue apenas nascer dos sonhos dos peixes.
Sem talento….
A coisa fica difícil, mas não impossível.
Stanislavski ou Broadway
A música revolucionária da Sagração de Stanilavsky e um pouco dos sonhos da Broadway.
Como despertar os sentidos?
Tocando na pele dos sentimentos e olhando para o próximo num prenúncio de descoberta; tocando a casca da sensualidade sem medo da dor.
Mente poderosa é aquela que….
Trabalha em cima da lucidez, buscando entender… profundamente entender.
O que merece revisão urgente?
A cultura e a educação.
A poesia pode mesmo salvar o mundo? Como?
Pode. Invadindo pela transformação, transgredindo pelos sonhos, construindo pelo imaginário, salvando pela fantasia de poder existir, acima da mediocridade.
O que não dá para guardar?
Mentiras
Que caminho é mais produtivo?
O da via crucis de seu corpo em busca do significado.
Quem merece estar em foco?
Nero de Deus (um jovem e grande talento das artes plásticas do Vale)
Defina-se em uma frase: Eu sou…
Paciente com a vida, não me esgoto tão facilmente, porque ainda consigo sonhar.

Luciana disse:
BRAVO Guedes!Que delícia de entrevista! Nada como ser entrevistado por pessoas inteligentes, heim? Parabéns a você e a Ludmila, duas almas sensíveis e transgressoras!

Guedes dá um banho de talento em sua entrevista. Salve,MESTRE. Bom demais. Abração, Dyrce Araújo

Amada Amiga Ludmila
estou sem internet já algum tempo, tenho olhado alguma coisa no trabalho, senti um orgulho de ser lembrado e ficar visivel no seu blog que transmite tanta sensibilidade e um grande compromisso com as palavras. Hoje me senti um homem feliz,
foi uma luz de cores alegres que invadiu meu dia, me senti recompensado de ter você na minha vida de uma maneira tão especial. No momento estou preparando o Adagio Retirante com solo de violino para acompanhar, será no projeto EducaMais.
Quero sua presença como uma pessoa que é também minha mestre no anseio de trançar palavras em sonhos.Um grande abraço beijos e obrigado pela vida que voce sempre transbordou.
Guedes

 

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25/08/2009

O Casarão – Parte 4

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 22:29

O  CASARAO

 

 

O Casarão surge com o transverso do tempo, emigração dos transtornos, não existe a definição do espaço físico, a passagem do tempo não se fixa nem no presente, foge com linhas próprias do passado e não tem uma projeção fixada no futuro, o espaço ocupado é interior e sem limite que não seja o rebuscado dentro das palavras, a poesia da existência não ancora em nenhuma forma de alegria e esperança, vai mar adentro, deslizando seus fragmentos sobre desesperadas ondas de uma emoção quase vazia e de total agonia jogada para dentro da alma reclusa em sua forma de solidão…

 

 

Cedo tarde ou noite ia evocando antigos mistérios, o anseio da caminhada e a estrada fincada no infinito, sacudia a poeira acumulada na roupa, olhava timidamente para o lado onde do resto de sua memória, sua mãe retirava um difícil e aguado leite para seu irmãozinho, o tio com passadas longas murmurava infortúnios e a tudo culpava, era o maldito tempo, a desintegração da dor, as mentiras voando como olhos de pássaros mortos que a avó guardava dentro de uma velha mala, misturada a cobertor  com cheiro de naftalina e baygon, seria possível  enxergar além das sombras ou não perceber com indiferença o barulho seco das folhas crispadas em desespero e um purgatório que o avô trazia em culpas e expiações ,descartava recortes e punições para os afastados da glória do senhor,pulsada para dentro de sua velha e ensebada bíblia, os códigos anestesiados como minhas veias, uma antiga e fossilizada poesia fixada nos ramos da idade de uma refeita paixão, o fogo se mantendo para dentro dos olhos e palavras que explodiam no silêncio da caminhada, todos numa marcha escorrendo para dentro da dor, esperando o momento da chegada, as fundações do destino…

 

 

Ainda me resta a possibilidade de invadir a vida com palavras, deslizar a caneta e esfolar o branco doentio das palavras, ressurgir com linhas cerzidas ao dentro, o costurado invisível com sombras horizontais, esvaziar os sulcos desta miserável caminhada, lembrar a todo momento da caída, a descida para um inferno próprio, a queda e o tempo escolhido para perfurar estes olhos esvaziados de alegria, ver surgir uma nova aurora e não poder me aproximar destas luzes que me cegam e apontam para uma terrível escravidão, um ser desnorteado e acovardado como se temesse o ressurgir de uma nova peste, com mortos invadindo o espaço escondido de meus sonhos…

 

O salão todo decorado, bexigas vermelhas, azuis e amarelas, bandeirinhas penduradas nos tetos, cadeiras de rodas se movimentando e velhas circulando com bocas descrevendo diálogos inaudiveis

 falam com palavras em seus avessos , nos ouvidos a emoção é retorcida de silêncios, estabeleço então jogos a partir da memória, dos sonhos antevejo que o medo esta na raiz desta dor subjugada para dentro de meu corpo, o qual insisto  em recortar e esparramar como pequenos pedaços de coloridas ironias e irretocadas disciplinas, são espaços que fogem neste chão pisadas por densas trevas e numa anunciada revolta, percebo olhares que avançam sem carinho para dentro de meu tempo e vai riscando linhas tortas e desencontradas para  dentro de meu destino…

 

 

dias e noites de infindáveis repetições, acendo a luz deste apagado olho e me jogo para dentro de um passado morno e cansado, vou viajando por entre estrelas que imagino como paginas de livros com letras , desenhos capaz de despertar os limites vazios do mistério,

com sombras retidas e mortes anunciadas, vou sabendo da violência

e resumindo tudo para dentro destas palavras, tudo é parte de uma partida em que somos eternamente derrotados, doenças que a alma engole como comprimidos em seu dia a dia, doses maiores de finitas dores em que nada resta e na qual a esperança se curva como uma planta órfã, num jardim já seco, sei que um jardim  existia neste

exato lugar, são as demarcações, as cicatrizes sobre as terras e as

gramas ressequidas, círculos e pequenas estacas sustentando galhos secos de rosas e jasmin, folhas mortas e vasos quebrados com raízes de violetas enformigadas, devagar estiquei a mão para dentro do sol e senti que seu calor esparramava-se para dentro de frias trevas, tranquei a dor no sótão de tantas tristezas soterradas, é um momento que vejo o cinzento se render à cor e a dor caminhar por compridas estradas esburacadas, estas palavras que mantenho trancadas dentro do casarão, repartindo suas veias, seus cômodos, sua trajetória, esticadas como frágeis linhas para dentro deste angustiado e fechado universo, construído e conformado por pedras

e grossas areias,

não  não

pêndulos de algodão afundam-se e penetram pelas frestas deste silencio mal definidos em palavras

são gotas de água que a friagem transformam em pedras gelificadas,

são resinas afundando para dentro de um mundo sem espaço de luz,a sombra que se dissolve e um mundo vegetal entrelaça seus cipós,

gotas de lagrimas que lavam estes resignados suspiros noturnos, quando a mão avança para isoladas e mortas caricias sob o cobertor de flanela vermelho,

estou desalojado de calor humano, o ritmo agitado de minhas mãos

não descobrem apenas este resto de gemidos e um cheiro de animal

apodrecido, próximo como a febre, o delírio, a agitação, a mão sempre se descobrindo diante do nada…

preciso do arcabouço da solidão, desconhecer regras, leis, estatutos,

entender o pêso deste silencio, como um gesto ultimo de um suicida

abafando um ultimo suspiro e grito de uma entortada esperança., esticando para dentro de minha garganta, cruzam o limite de meus

pulmões lacerados de um travesso destino, um ar cansado e pesado, esta luz que brilha sobre as trevas e fica apagado diante de meus olhos, flores e negros vegetais, orquídeas roxas e vagas ficam numa eterna vigia acompanhando esta viagem de deserção , desapego e isolamento temperado pela falta de esperança.

A fé é uma doença da alma…..

Vou fugindo, invadindo espaços fechados, meu sangue voltado para uma sonolência das veias a serem percorridas por navios fantasmas e percebo que minhas salgadas lagrimas tem o encantamento do desconhecido, acariciam meu rosto e um resto de humano joga-se para dentro do tempo…

São os nervos que perdem seu domínio, músculos retesados e desatinados, inflamados, a boca seca e a voz escondida diante de um mundo que se refaz pelo perdido das palavras, pelo perdido dos sentidos e do amargo desencontrado pela ironia de um mundo lavrado em dispensas vazias…vou buscando o reverso das sintonias desta rejeitada esperança e a alma que se divide na contramão do bem e do mal.

–              Carlos Bueno Guedes

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24/06/2009

O Viajante do Só

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 20:32

de momento à momentos

passos escalam sombras

e um viajante solitário

com passaros mortos nos bolsos

caminha pisando constelações de mentiras,

o mar escalda em praias

e um veleiro movido por sombras

engana olhos marinheiros,

sou da vida

cresço nas migalhas do desatino

entorno o copo de leite

nas velas içadas de meu lençol

vazio de putas esquecidas.

penso na dôr

nela vive o porquê do corpo

que se esvazia,

o dicionário ao meu lado

é de cantigas de ninar sintaxes

e punhetadas

são realizadas na ponta

de minha caneta.

apenas sei que no varejo da condição humana

comprei palavras mortas,

palavras de ossos expostos

e tristeza condensada na ponta da lingua,

vinha triste de rasuras e com sangue escondida entre pontos e virgulas, no varejo de frutasapodrecidas que comprei a palavra esperança, ela veio parida e partida de sombras, nenhuma luz escondida em……………………………….

foi no varejo que encontrei implorantes olhos mendigos

que subiam o morro e viela de minha alma

e tudo se perdia no balcão

em veredas de um grande varejão

criado na angustia e solidão de Deus !

carlos bueno guedes

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08/06/2009

TOQUINHO

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 19:22

Faixas:
01 – Outra História – Toquinho – Pino Daniele
02 – Doce Lembrança – Toquinho

03 – Esse Menino – Toquinho – Mutinho

04 – Acauã – Zé Dantas

05 – Conversando – Mutinho

06 – Palavras Cruzadas – Toquinho – Francis Hime

07 – Aquarela – Toquinho – Vinicius – Guido Morra – Maurizio Fabrizio

08 – Um Abraço ao Papete – Toquinho
09 – a-Conto de Areia – Romildo – Toninho
b-Minha Festa – N.Cavaqunho – Guilherme de Brito

10 – Acende Uma Lua no Céu – Toquinho – Vinicius

11 – Amigo Paco de Lucia – Toquinho – Rogério Duprat

12 – Corinthians do Meu Coração – Toquinho

13 – Alô Alô – Toquinho

Ficha Técnica:
Produção;Feranando Faro
Assist.Produção:Wagner Guimarães
Operador de Gravação:João Maria
Auxiliar:Beto Silva

Capa:Elifas Andreato

Assistente de Arte:Alexandre Huzak

Coordenação Gráfica:
J.C.Mello

Dominguinhos,Artista Gentilmente Cedido por RCAhttp://trem-de-minas.blogspot.com/2009/06/toquinho-aquarela-1983-vinl-by-tdm.html

 
toquinho contra-capa
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A Pessoa é para o que nasce.

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 19:09

A_Pessoa_e_Para_o_Que_NasceDownload AVI

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Ingmar Bergman

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 18:54

INGMAR BERGMAN – FANNY E ALEXANDER (Fanny och Alexander) – 1982 – DRAMA – RMVB
ÁUDIO: SUECO
LEGENDA: PORTUGUÊS
TAMANHO: 291 + 297 MB
FORMATO: RMVB
SINOPSE:

No início do século XX, após um alegre Natal na família Ekdahl, o pai de um casal de crianças vem a falecer. Deste momento em diante Alexander (Bertil Guve), o menino, passa a ver o fantasma do pai freqüentemente. Tempos depois Emilie (Ewa Fröling), sua mãe, casa-se com um extremamente rígido religioso e as crianças são obrigadas a deixar a casa da avó paterna, onde foram muito felizes, e passam a viver com a família do padrasto de hábitos severos, onde são tratados como prisioneiros. Na casa do padrasto o menino passa a ver o fantasma da primeira esposa dele e suas filhas, que haviam morrido tentando escapar dele. Decorrido algum tempo, a mãe se conscientiza da real personalidade do marido e de quanto seus filhos sofrem naquela casa, assim planeja um modo de tirá-los daquele lugar e levá-los de volta à casa da avó.

LINKS PARA BAIXAR AQUI:
PARTE 1:
http://rapidshare.com/files/92621971/Fanny_e_alexander_parte_01.part1.rar
http://rapidshare.com/files/92632950/Fanny_e_alexander_parte_01.part2.rar
http://rapidshare.com/files/92643467/Fanny_e_alexander_parte_01.part3.rar
http://rapidshare.com/files/92645633/Fanny_e_alexander_parte_01.part4.rar

PARTE 2:
http://rapidshare.com/files/92656676/Fanny_e_alexander_parte_02.part1.rar
http://rapidshare.com/files/92667711/Fanny_e_alexander_parte_02.part2.rar
http://rapidshare.com/files/92679417/Fanny_e_alexander_parte_02.part3.rar
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A grande Obra Prima de Bergman !FANNY E ALEXANDER (1982)

guedes

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28/05/2009

Caravana do Cinema Brasileiro

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 18:35

O projeto Caravana do Cinema Brasileiro consiste em:

– Debater os problemas brasileiros através do cinema nacional através dos curtas e longas metragens.

– Divulgar e ampliar o acesso a recente produção cinematografica nacional de curtas e longas metragens brasileiro.

– Diminuir o preconceito quanto a qualidade técnica e o conteúdo estético dos filmes produzidos no Brasil.

– Garantir o direito a cultura para população de baixa renda.

Para acessar

São José do Barreiro

São José do Barreiro

a agenda da programação e obter mais informações sobre o projeto clique no linc abaixo.

http://www.caravanacultural.org/agenda/

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27/05/2009

LUDMILA FALA DE GUEDES

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 18:49

Esta grande escritora de Jacarei, do Vale e do Brasil, dona de uma obra impar, iinspirada pela mais alta voltagem poética fala deste aprendiz .

Cabugue”. Foi sob este pseudonimo que eu conheci, primeiramente, a poesia de Carlos Bueno Guedes. Sua escrita materializou-se em minha vida, antes do ser, e eu fiquei relendo aquelas palavras amargas, ácidas, áridas a me indicarem a rota para um inferno particular que me assustou, ao mesmo tempo em que me que instigava a imaginação: Como seria o portador daquela angústia visceral, daquele desalento de viver sentindo que a vida era uma carga por demais pesada? Então conheci o homem: jovem, tímido, sensível, apaixonado por literatura, consumidor voraz de autores e seus escritos. Viciado em sebos e bibliotecas. Estampando no corpo e na alma um cansaço crônico de viver, mas enfrentando o cotidiano com o desafio de quem diz para a vida, em constante desafio: “Decifra-me antes que eu mesmo me devore…” Amigo discreto, fiel e sempre presente. Alma gêmea de todos os artistas. Ave, Guedes! Amamos você! Ludmila

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26/05/2009

POMAR DE SONHOS

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 11:15

não sei o por que diferente

das côres dos frutos

a terra é o sempre igual

pra tudo,

umas frutas mais doces

outras maiz azedas

na mesma terra

sempre igual,

                              penso que as frutas

é como gente

o gosto para rir ou chorar

o amargo e o doce é questão de cultivar

os anseios da alma ou do amor,

as folhas verdes verdinhas

arrebatadas   pelas ventanias do cerrado

entoam sons de violinhas,

os frutinhos se embalam

cada um em seu destino,

o doce vai se fazendo

azedo azedando de traçar caretas

pra Deus rir lá do céu,

cada fruta vai se vestindo de cheiro

se enfeitando de cores,

a terra  grudada nas raizes

vai catando mais sementes

pra encher sempre

o pomar dos sonhos.

Carlos Bueno Guedes

 

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05/05/2009

COLIBRI

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 13:13

colibri assustado
depositou um beijo
no bagaço de uma flôr,
semeou sonhos no infinito
fecundou esperanças
na noite inventada
em palavras coloridas
respirou a luz da aurora
e soprou sobre a pele
do mundo.

carlos bueno guedes

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09/02/2017

” Deus- Ninguém “

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 19:24

Escuto o ruído  24/04/2009

DEUS-NINGUÉM

O CASARÃO Vagamente vou deixando estas malnoitadas linhas escapar da teia do meu ser, apenas a sina da vontade vai olhando e desfazendo os nós, minha mãe do fundo de sua solidão, enxugava sua tristeza e falava:- Você é diferente de todos, está se abandonando, tudo tem seu limite, até mesmo esta mania de escrever e esparramar seus gestos contidos, puxou a cegueira de seu pai, deslizando como uma lagartixa silenciosa pelo bolor das paredes.Escrevo para o Deus-Ninguém ele conhece os recursos da minha alma, os segredos mais íntimos, a dores reveladas no discurso de meu tempo.Pai cego num canto da sala, aproximo com passos medrosos:- O que é ser de cegueira?- Filho, é ter uma eterna sombra no fundo dos olhos e sentir que se esparrama pela alma toda.Mãe olha a pena da pena e revolteia os perigos das chegadas, traça para o pai um mapa das caminhadas, estipula a geometria fria das apalpadelas pelas paredes do Casarão, até atingir o canto do quarto, onde perto de seu radinho de pilhas haverá de ouvir noticias de um mundo distante forjados entre crimes e solidão, ficará ali o dia todo preso e amordaçado de palavras.“Deus-Ninguém”Minha fala de sentir interior, escrever cartas que nunca chegarão, é que a dor de almas mortas, vai se esticando todo, até perder-se numa funda linha do horizonte, este Deus-Ninguém é de dentro, as vezes cegos como os olhos de meu pai, minha vontade é de jogar o antigo e o presente dentro deste Casarão para poder viver alguns breves momentos de esperança, não precisar de soluções, a fraqueza parece derrubar a todos aqui, as pernas travadas da minha irmã frágil e se arrastando pelo chão, penso nos porões jogados para dentro de cada um de nós…“Deus-Ninguém, as poucas vezes que conversei com pai, senti que habitávamos o mesmo mundo, o meu transparente de luzes não entendidas, e o dele de uma eterna treva construídas em toda sua vida, ambos nos alimentando de uma sombra vadia e desgraçadamente covarde.A minha irmã rastejava, um olhar de brilho acostumado e medrosos, boneca de pano nos braços e uma dor de verter lagrimas e de ficar grudado nos limites da memória.- Porque não se levanta minha irmã, porque não fica de pé, e aprenda o caminhar?- Apenas desaprendi do andar, sinto medo da distância que vai do limite da cabeça até os meus pés, é uma tontura de invasões até o chão, sinto que tudo que resta, será cair… cair… cair…A mãe olha, resmunga, aproxima, traça voltas com a faca na batata e tem o todo dela, joga no tacho em que a cebola e o cheiro verde darão a precisão do gosto.- Filho, é preciso que vá encontrar uma vida lá fora, aqui tudo tem um gosto de sofrer, esse seu Deus-Ninguém é possivelmente obsessivo de sua criação, não admite compartimento de luzes neste casarão.As emoções humanas não passam de um jogo, em que peças são deslocadas obedecendo uma regra.As vezes acordo com a sensação que Deus-Ninguém está longe de entender que toda esta costura e cerzidas esperanças, o encantamento fica apenas por conta da palavra, meu mundo é o fora, a casca do ovo escondendo a gema… a semente….O avô devorando a bíblia e a avó desesperada, comida no fogo, feijão cambuquira, arroz, carne seca e a mãe gritando – “Porque tanto desperdício, a maldição de Deus é na terra, não nos frutos entravados dentro da terra” Falam de terra, e penso que todo quintal é terra de ninguém, as arvores são regadas com as águas dos olhos e seus frutos são amargos de existência pelo velado e o desvelado…o avô lendo trechos de Isaias e a voz vai se dissolvendo na neblina de cada um, fica um soluço de resignadas palavras desaparecidas na asperagem do tempo…árvore de ressecados frutos…ressecadas frutas…- ‘Deus-Ninguém, também nunca recebi o gosto do doce, apenas o salgado, também exaurido de significado…não sei de qual gosto retirar o acreditado.Mais que a dor no peito, o que me invade é o medo, o casarão me esperando trágico de destruição e mantendo refém, todas aquelas pessoas que aprendi a amar e entender suas trevas e solidões.Tenho vontade de vê-las e sentir que não haverá partidas e que seus rostos se abrirão num sorriso diante da minha dor, acabará o mundo das divisões, suas almas são puras por serem tecidas em trevas próprias.Tem momentos que sinto que estamos numa cela, voltando das esperanças e esticando as palavras para dentro de pesadelos, perdemos o dom de sonhar, olhos que se perdem dentro do dentro.O Casarão surgiu depois da casa tomada, a mãe vestiu-se de preto e falava que dificilmente alguma estrela viria para seu vestido, o avô afirmava dando um tapa na bíblia que “na casa de meu pai, há muitas moradas“ ficava imaginando que se estas moradas existiam, elas deveriam estar cercadas de imensos e altos muros, para morar nelas deveríamos ter algo de especial, o vinho, o sangue, a ceia leve de imensas paisagens e um pão de repartidas formas, não eram coisas para nós…certamente para os poucos escolhidos, aqueles mansos de almas, os cordeiros do senhor.A casa fora tomada, tristeza de finalizar um mundo e ter que caminhar para o desconhecido, extrair do medo o silencio de percorrer, éramos uma tropa de derrotados, que vínhamos pela estrada, olhos de esperanças perdidas, até o momento que avistamos o Casarão, abandonado e cercados de árvores que pareciam não ter vida, Casarão de moitas entre os ladrilhos e manchas de bolor verde , grudadas nas velhas paredes, pedaços de luz, atravessavam o buraco dos telhados, um cheiro de mijo e portas roubadas em que restaram apenas buracos…perder-se no tempo é desaprender a palavra, ter o tombar das idéias, se tudo é trazido do oco, é porque a febre da memória queima as veias de meu corpo, atraso o tempo da linguagem, pulo o cerco das correções, sinto o limite angustiado do Casarão, em algumas noites sinto os passos invisíveis, um arrastar de correntes, o longo chorar medroso e enlouquecido de minha irmã, suspiros e gemidos percorrendo as horas, segundos, minutos, imaginando que todas as jornadas são jogadas para dentro da noite, tudo para ficarmos órfãos de uma luz mentirosa, as palavras chegam acompanhadas de um exército de mortos.Alguma coisa não estava bem comigo, suportei muito tempo a sensação de febre no corpo, fraqueza, até no momento que senti a primeira golfada de sangue, olhei assustado, tive medo de sentir mais medo, minha camisa manchada de medo, todos olharam, todos sentiram que um silencio enorme tomaria os cômodos do Casarão, lagrimas fugiram do dentro dos olhos,cruzando meu rosto coberto de matas fechadas e flores apodrecidas.Mãe olha tio perto do buraco da porta e fala:- Somente você pode levar Lucas para ser atendido, não temos dinheiro, ele não pesa quase nada, pode por no carrinho de mão, talvez também conseguir carona…deixa lá e volta, precisamos de você na plantação, dependemos da colheita do inhame para talvez podermos sonhar em melhorias…As paredes brancas, enfermeiras de brancos e olhares brancos de curiosidadeTubos brancos enfiados no nariz e nos magros braçosMangueiras conduzindo um vermelho sangue estranho para dentro de meu corpo, sensação de sono e um cansado cheiro de remédio,Expulso do Casarão pela doença, só no mundo, só de apenas só, invadido de memórias, as imagens refazendo caminhadas para dentro, mapas de fundos desencontros.Em que região o meu Deus-Ninguém se refugiou para não mais estender suas leprosas mãos?O médico tem o olhar preocupado, avança diagnóstico sobre a doença, atrás do bigode tudo é mistério, apalpa o fundo de meu peito, impossível ver a dor escondida dentro do meu medo, impossível encontrar minha alma escondida nesta angustia.Exilado para um templo de enfermidade e macas fugindo com pacientes pelos corredores do hospital…O médico fala e olha para a enfermeira:- Ele tem o corpo, os pulmões, tudo tomado pela doença, está no ultimo estágio,Vem a lembrança da casa tomada, agora meu corpo também tomado, acredito que nunca pertencemos a nada…sempre um resto de mentiras a viver por nós, minha alma sempre vegetou por espaços sem luz, ainda poderei estar na via crucis de meu corpo, percorrer alguns abismos até ter a esperança de encontrar o Casarão.A enfermeira ouve o médico:- Tem que ser removido…que pena, está no ultimo estágio…a viagem é longa, pode não resistir…aqui também não resistiria…morte na certa!Estou pronto para todas viagens possíveis, mesmo sem levar comigo a esperança, peço ao motorista e enfermeiro que me levem ao Casarão, talvez seja a ultima visita, quero as despedidas, abraçar meu pai e beijar seus olhos ausentes de luz, falar para mãe que brevemente uma estrela virá brilhar no negro de seu vestido, beijar minha irmã e sua bonequinha de palha e falar que são lindas como a luz descendo nos buracos do telhado, falar com tio breves palavras e pegar a bíblia do avô e dizer , que naquele mundo que vive pode sempre haver a ressurreição, acariciar os ralos cabelos brancos da avó, todos que sempre estiveram vivos e transitando suas mortes para dentro de mim…nunca esperei muito desta difícil alegria de viver…tudo sempre foi muito amargo…lapide de todos os nomes que invadiram o álbum de minha existência, tudo ficará num único abraço, único beijo, abraço que nunca dei, fui contido pela mão do medo…nunca recebi um carinho sequer e hoje sinto que isto poderia ter mudado tudo…Enfermeiro e motorista recebem ordens trazida por uma voz severa e preocupada, estou numa ambulância, pelas janelas vão desfilando algumas arvores de verde distante, outras sombrias como o destino que me espera,uma sensação de desespero viaja pela ambulância, sinto a vida como um peso, algo morto, esta inútil ajuda do Deus-Ninguém, queria poder sonhar…mas também é tão difícil.Quero entrar no casarão com meus próprios pés, encontrar cada um dentro de seu mundo, palpável em sua pele de tristeza, retirar o ultimo de minha força, ninguém, nem nada impedira de passar uma ultima vez pela carunchada porta de madeira e encontra o triste movimento de minha irmã, o olhar da mãe impossibilitada de atingir minha alma, delicada e fria como as flores que ficavam no vaso ate o momento do ressecado, entrarei com a sede do encontro, abraçarei a todos…todos que retiramos do poço a mesma água e dividimos a mesma sede. O enfermeiro e o motorista, acompanhavam minha entrada, todos na mesa, o pão sendo dividido, o prato de sopa de inhame, a oração de agradecimento, os olhares me descobrem, espectros avancem sobre mim, abraçam, choram e ocultam um sorriso interior, beijo de ser primeiro beijo, despejo um adeus em cada olhar, olhos de limbo verde, vejo as marcas do pesar em cada olhar, chego perto do pai, passo a mão em seus longos cabelos e imagino se não existe uma região dentro dele que o torna impossível de sonhar, abraço minha irmã com sua boneca de pano a retalhos de tristeza, vem para a porta, todos me acompanham, o tio em seu silêncio, avanço quase desmaiando, a porta da ambulância é aberta, penso no adeus, mas ela fica grudada na minha dor, apenas olho, sinto que serão eternamente devorados pelo Casarão, e que a uma maneira de fugir, será como a minha.Deus-Ninguém, não sei para onde vou, sei que nunca chegarei a mim mesmo, tudo perdi porque nada pude ter, o sentido da esperança foi inundado, agora me resta…esta viajem sem volta.Deus-Ninguém, ore pelo ninguém que em mim restou, encha o Casarão com o ruído dos pássaros e dos animais em busca de suas presas, invada o Casarão e tente despertar o sono da alegria, nas únicas pessoas que acabei amando nesta vida…

Tenho tentado jogar as verdades para dentro desta noite forjada de esquecimentos, rebusco uma memória de palavras já sem significados; as palavras começam a morrer quando sente a escuridão avançar e ficar trancada na garganta, é isolar-se dentro da vontade de dizer não as coisas, desacreditar-se e o não aceitar de que ÊLE não possa estar presente ou estar inconsciente a estes soturnos e microscópicos vírus flutuando com nadadeiras invisíveis para dentro de meus pulmões, não ter a eficácia de remédios , nem as mãos armadas para uma oração, dor sólida, física e espiritual pois não consegue banhar o isolamento desta alma sangrando como meus pulmões, ainda sobram rostos transfigurados, ansiosos da queda já pronunciada, espelhos de imagens enegrecidas e velhas raízes de arvores estampadas em torno dos olhos e invasões lentas e silenciosas de uma memória jogando-se para dentro do Casarão, vou sentindo o grudado da memória e que muitas noites me encontrarão aqui com o corpo envidraçado de doentias transparências… difícil não entender em que escarpas e sob o peso de pedras minha vida vai sendo construída , diante de meus olhos soturnos uma forma surge de nunca entender a partir de que sutilezas e emanações meus quinze anos foram sendo lentamente construídos, frente a arvores escurecidas e montanhas umedecidas de desenganos, um estremecer de desencontros , ironias e sem nenhuma saída , apenas imagino que estou transformado num ser jovem que desconhece a si próprio e busca entender o salitre das lágrimas, os pensamentos cheio de saudades e doces do coração e o amargor estampada na face de médicos e enfermeiros…É difícil saber sempre como arrastar sobre a casca dura e seca de uma arvore velha e gasta de esperanças, vou então ensaiando palavras tímidas, escondidas e enraivecidas, pulando verdades e angustias desesperadas, tentando me equilibrar sobre tênues linhas, esfolando meus ouvidos com sons ásperos de uma batida descompassada de meu coração, ritmo ora lento , ora apressado de receber mensagens, olhares ou mesmo uma pagina de um livro ou de uma poesia, minha única fuga ainda possível em vazias noites e dias repetidos…penso nas crônicas desta noite esvaziada de sentido , um buscar intenso de esperanças, o Casarão e seu clima negro, doloroso e o silencio beijando minha alma, a dureza das pedras que escorregam para dentro de meus pulmões com peso denso de todos os cotidianos que tenho de afugentar com inúteis orações para este invisível Deus-Ninguém, as vezes imagino seu susto de ter o criado fugido dos domínios, o mundo se retorceu depois da criação e criou suas próprias orbitas e planetas viajaram pelo infinito indiferentes a seus designios, tento instalar a calma diante da dor, esquecer que posso ser agitado por desejos noturnos, poluções e que eternamente estou condenado a viver uma solidão que não é só minha: – Talvez do mundo também !

DEUS-NINGUEM

¨quero as palavras num ponto escuro do infinito, apenas assim entenderei esta minha dolorosa caminhada “

“ O Dia é sempre o intervalo claro da mesma Noite “

“ Amor é saúde do corpo e o inferno intimo da Alma”

“ Corpo semente – dolorosa germinação , até ser o estado de uma fruta esvaída de néctar, sabor e cheiro.Sêco como um galho de arvore se sustentando no vazio “

Como gostaria de me afundar dentro desta noite em que me encontro, olhos vadios de encontrar vazios, apenas lembranças dopando os pensamentos, afastado de mim por séculos de desolação, saber que não encontro amigos e que minha fala, meu dialogo é apenas um monologo de não entender o motivo de sentir trevas, como antigas teias capaz de aprisionar para dentro desta vazia teia de algoz desconhecido e esta maldita e cansativa luz que pressinto pronta a explodir porque não sinto VOCÊ junto dela, DEUS-_NINGUEM estou isento de compreensões, o cérebro costurado por mãos invisíveis e meu corpo preso a um cordão umbilical de amargas e doloridas lembranças ! Quantas eclipses surgidas nestes desencontros, tormentas e pesadelos, os pensamentos criando invertidas estrelas sem brilhos…
– Vai ficar bom logo !
– Deus tem o poder de curar !
Frases apenas frases, sei que perdi o caminho da saída, é por onde todos fogem, até o equilíbrio de uma família me foi roubado e ainda me falam deste DEUS que aprendi a desconhecer

DEUS-NINGUEM , vejo que ser livre é estar assim dolorosamente fora deste seu mundo criado com tantas prisões interiores, são celas que não permitem voar…voar !

Sei vagamente que poderei buscar em tudo, na agonia, a face voltada de um espelho de imagens esquecidas, um exercício de dor e solidão se retorcendo para dentro, evidências de um mundo construído pelo avesso, escombros, a fria dor que me acompanha, a tristeza de não encontrar palavras de claridades e gavetas que abro ansiosamente a cada minuto, trazendo papéis que sinto inúteis, mas que representa a transitoriedade de minha fuga para dentro destes pesadelos que se anunciam a cada olhar miserável que lanço sobre mim,
Salvação – maldição
Um relembrar de um Casarão carcomido de intensas sombras alimentando-se de um tempo desencontrado,
Ser como esta alma emprestada das trevas, percorrendo com chinelos gastos o mesmo e sempre corredor deste hospital…no fundo do corredor uma cruz e nele pregado o Crucificado…é onde todos param
E fingem suas preces acreditando no milagre…acreditando na luz, acariciam o espírito ausente de memória e de significado, afogando sua dor em chinelos que insistem em percorrer estes escuros corredores…

Alucinadamente vou transformando palavras em limbo, revolvendo o momento exato da despedida, silêncio é angustia e galhos secos de plantas adornam um jardim escuro e secreto, vou dispersando a alma por muitos caminhos, exilando-me pela escrita, afundado em charcos de lama, sei que a fraqueza me invade e o gosto de sangue é sempre o retorno, a volta por espirais de negro temor, diante de meus trêmulos dedos a caneta pesa e a noite que me invade com gemidos tem o cheiro de animais apodrecidos , tão próximo como a febre, esta agitação, o gesto da mão sempre encontrando o nada, preciso do arcabouço da solidão, desconhecer regras e entender o peso deste silêncio, resultando como um gesto único e ultimo de um suicida abafando -se num ultimo gesto de esperança e desafio …

O menino em mim adormecido, jogado para dentro de pesadelos, sem consciência para sonhar, um triste pedaço do jogo refeito , sobre lençol branco e macas que rangem,
sondas de infinitos e transparentes tubos, enfiados para dentro de minhas veias, as pessoas estão fora de meu estado de solidão e abandono, roupas brancas que se afastam para dentro de minha alma,com injeções e liquido espalhado para dentro de um copo
de liquido leitoso e gosto acre, que percorrerá este corpo em estado de

angustia e solidão…

Deus-Ninguém

…dias já passados, sem alegria, dor no peito geridos na raiz dos
desencontros. Vejo os segundos que correm sobre o relógio na parede, sei que sempre uma repetida noite viajará para meu destino,como se a escuridão e a luz tivessem de participar de um mesmo destino…
não tenho nenhuma noticia de minha casa, sei da distancia e da morna tristeza que invade o casarão, cada um vivendo seu calvário,um pedaço da própria morte, rostos que se tornaram mascaras e não conseguem sorrir…estou tentando dar um sentido nas desarticuladas palavras embrulhadas em bulas e com cheiro de clorofórmio
uma enfermeira larga uma revista, folheio paginas e paginas,vejo um verde de floresta, pessoas bem vestidas de saúde, algumas mortes, casas destruídas, canhões, guerras , mulheres sorridentes , anúncios e mais anúncios…esqueço meus olhos na passagem de um tempo que nunca aprendi a conhecer, o destino de cada um é definido, somos todos sós e palavreamos a vida com a exatidão do silêncio, o útero da solidão parindo esperança, sentindo a invasão de ver matos ciprestes e galhos estendidos como forcas nos varais deste hospital…vou deixando as linhas de palavras irem percorrendo o rosto envelhecido deste caderno, são rugas de sentir os gestos cansados no pouco tempo já vivido
tempo de pensar
cansado do sentir
as escritas vão nascendo lentas, cansadas como este corpo jogado sobre esta maca, vou costurando a lembrança do casarão e suas sombras que estão pisando um chão abandonado e de veias rasgadas dentro do destino de cada um, lembranças com gosto de morte…ervas daninhas vicejam em chão esburacado, minhas pessoas amadas olham por janelas um infinito que não é dado conhecer.
Deus-Ninguem – Por que esta solidão ?
Porque este jeito tão solitário de dizer as coisas, olhar estas paredes sem respostas, vegetar como silencio sem forma, sentir olhos cansados e oprimidos se derretendo sobre minha doença, levantar o memorial de meus dias inválidos, perceber que neblinas vão se afundando para dentro de meus pulmões, que toda claridade é a espera da noite por vir, ter no escrito o desespero e sentir que minha resistência é finda, desprovida de sentido…o relógio marca hora de um tempo que é presente, um hoje solidificado de ausências, o desfalecimento quando os olhos se fecham diante da escuridão…penso em escalar este espaço de palavras ainda não escritas, perfurar pedras da construção, reter dentro de meu silencio a lama do esquecimento…
Sou frágil e quebradiço como cristais, isolado num quarto frio e aromatizado de essências vegetais…acordo no meio da noite com fantasmas caminhando apressados dentro do quarto…
Um outro dia acordei sentindo uma mão deslizando pelo ventre e tocando meu sexo, mãos aranhas de uma gorda enfermeira,velha, no olhar trazia uma procissão de mortos, rugas, boca de baton vermelho e um risco de lápis nos olhos…
_ por favor…deixa…deixa…abandone-me…
lagrimas nos olhos, falou da viuvez, do filho morto num tiroteio e apalpava…apalpava…dizia – você já é homem…homem …apalpava meu silencio…minha boca trancada, muda …mexia…mexia
e
tudo que restou foram manchas grudadas e molhadas no lençol , a sensação dolorosa de um prazer feito entre mortos, cansaço arrancado do medo e da vergonha por não entender a dor da mulher,de seu desconhecido mundo interior, da idade já sem conquistas, a beleza destruída pelo tempo e pela gordura nas faces brancas…morta e arrancando e catando pedaços de prazer de seus doentes…
…meu sexo era um peso quase morto, jogado para fora de meu corpo,sozinho e sem sentido…um pedaço de achar êxtase na eclipse de uma noite desesperada de desencontros…
mais alguns dias de dores acalmadas
levaram me para um jardim, a fachada do hospital trazia a imagem de uma prisão pronta para preparar seus mortos…fiquei numa cadeira de roda , via outros doentes como espectros se movimentando com a expressão de uma alucinada e terrível noite sem vestígios de esperança…as horas purgando sua corrida dentro do
tempo…uma imagem de uma cruz vazia de madeira envelhecida,talvez seu filho estivesse procurando seu pai, este Deus-Ninguem, para dizer que tudo é inútil…olhos que não podem ver, a chaga de sangue envelhecido dentro da memória…o vinho mal repartido, coisas desacreditadas na mesa do cotidiano…o pescador e a rede vazia de fé, tempo para falsos justos e milagres forjados
volto para o quarto
medo de sentir medo
dor escondido na força dos remédios e sais abandono, sinto que as palavras também buscam sua via-crucis , tenho tentado jogar as verdades para dentro desta noite forjada em esquecimento, rebuscando uma memória de palavras marginais, sem significado e
sem roteiro que não seja gritado pelo abandono, é uma escuridão que avança para dentro da garganta sufocando o que resta de minha alma
tentando dizer não as coisas, o ar fica pesado de desespero, e ÊLE
calado, distante de ler os cantos que minhas palavras escurecem em cartas imaginarias, preciso destas lembranças …
triste não ter um remédio para a dor incrustada na alma, ter o desapego de viver, rostos transfigurados em apagados espelhos de imagens enegrecidas, sentindo a memória sem ilusão e que muitas noites me encontrarão com o corpo envidraçado de visibilidade enferma,
difícil não entender em que escarpas e sob peso de pedras , minha vida vai sendo construída diante de meus olhos, frente a arvores escurecidas e montanhas umedecidas de desenganos, estremecer de desencantos, a ironia presente…sem saída apenas imagino que estou
transformado num ser que desconhece a si mesmo e busca entender
o salitre preso nas lagrimas, os pensamentos doces do coração buscando o casarão e um amargor estampado na face dos médicos e enfermeiros…

 

 

O Casarão surge com o transverso do tempo, emigração dos transtornos, não existe a definição do espaço físico, a passagem do tempo não se fixa nem no presente, foge com linhas próprias do passado e não tem uma projeção fixada no futuro, o espaço ocupado é interior e sem limite que não seja o rebuscado dentro das palavras, a poesia da existência não ancora em nenhuma forma de alegria e esperança, vai mar adentro, deslizando seus fragmentos sobre desesperadas ondas de uma emoção quase vazia e de total agonia jogada para dentro da alma reclusa em sua forma de solidão…

 

 

Cedo tarde ou noite ia evocando antigos mistérios, o anseio da caminhada e a estrada fincada no infinito, sacudia a poeira acumulada na roupa, olhava timidamente para o lado onde do resto de sua memória, sua mãe retirava um difícil e aguado leite para seu irmãozinho, o tio com passadas longas murmurava infortúnios e a tudo culpava, era o maldito tempo, a desintegração da dor, as mentiras voando como olhos de pássaros mortos que a avó guardava dentro de uma velha mala, misturada a cobertor  com cheiro de naftalina e baygon, seria possível  enxergar além das sombras ou não perceber com indiferença o barulho seco das folhas crispadas em desespero e um purgatório que o avô trazia em culpas e expiações ,descartava recortes e punições para os afastados da glória do senhor,pulsada para dentro de sua velha e ensebada bíblia, os códigos anestesiados como minhas veias, uma antiga e fossilizada poesia fixada nos ramos da idade de uma refeita paixão, o fogo se mantendo para dentro dos olhos e palavras que explodiam no silêncio da caminhada, todos numa marcha escorrendo para dentro da dor, esperando o momento da chegada, as fundações do destino…

 

 

Ainda me resta a possibilidade de invadir a vida com palavras, deslizar a caneta e esfolar o branco doentio das palavras, ressurgir com linhas cerzidas ao dentro, o costurado invisível com sombras horizontais, esvaziar os sulcos desta miserável caminhada, lembrar a todo momento da caída, a descida para um inferno próprio, a queda e o tempo escolhido para perfurar estes olhos esvaziados de alegria, ver surgir uma nova aurora e não poder me aproximar destas luzes que me cegam e apontam para uma terrível escravidão, um ser desnorteado e acovardado como se temesse o ressurgir de uma nova peste, com mortos invadindo o espaço escondido de meus sonhos…

 

O salão todo decorado, bexigas vermelhas, azuis e amarelas, bandeirinhas penduradas nos tetos, cadeiras de rodas se movimentando e velhas circulando com bocas descrevendo diálogos inaudiveis

falam com palavras em seus avessos , nos ouvidos a emoção é retorcida de silêncios, estabeleço então jogos a partir da memória, dos sonhos antevejo que o medo esta na raiz desta dor subjugada para dentro de meu corpo, o qual insisto  em recortar e esparramar como pequenos pedaços de coloridas ironias e irretocadas disciplinas, são espaços que fogem neste chão pisadas por densas trevas e numa anunciada revolta, percebo olhares que avançam sem carinho para dentro de meu tempo e vai riscando linhas tortas e desencontradas para  dentro de meu destino…

 

 

dias e noites de infindáveis repetições, acendo a luz deste apagado olho e me jogo para dentro de um passado morno e cansado, vou viajando por entre estrelas que imagino como paginas de livros com letras , desenhos capaz de despertar os limites vazios do mistério,

com sombras retidas e mortes anunciadas, vou sabendo da violência

e resumindo tudo para dentro destas palavras, tudo é parte de uma partida em que somos eternamente derrotados, doenças que a alma engole como comprimidos em seu dia a dia, doses maiores de finitas dores em que nada resta e na qual a esperança se curva como uma planta órfã, num jardim já seco, sei que um jardim  existia neste

exato lugar, são as demarcações, as cicatrizes sobre as terras e as

gramas ressequidas, círculos e pequenas estacas sustentando galhos secos de rosas e jasmin, folhas mortas e vasos quebrados com raízes de violetas enformigadas, devagar estiquei a mão para dentro do sol e senti que seu calor esparramava-se para dentro de frias trevas, tranquei a dor no sótão de tantas tristezas soterradas, é um momento que vejo o cinzento se render à cor e a dor caminhar por compridas estradas esburacadas, estas palavras que mantenho trancadas dentro do casarão, repartindo suas veias, seus cômodos, sua trajetória, esticadas como frágeis linhas para dentro deste angustiado e fechado universo, construído e conformado por pedras

e grossas areias,

não  não

pêndulos de algodão afundam-se e penetram pelas frestas deste silencio mal definidos em palavras

são gotas de água que a friagem transformam em pedras gelificadas,

são resinas afundando para dentro de um mundo sem espaço de luz,a sombra que se dissolve e um mundo vegetal entrelaça seus cipós,

gotas de lagrimas que lavam estes resignados suspiros noturnos, quando a mão avança para isoladas e mortas caricias sob o cobertor de flanela vermelho,

estou desalojado de calor humano, o ritmo agitado de minhas mãos

não descobrem apenas este resto de gemidos e um cheiro de animal

apodrecido, próximo como a febre, o delírio, a agitação, a mão sempre se descobrindo diante do nada…

preciso do arcabouço da solidão, desconhecer regras, leis, estatutos,

entender o pêso deste silencio, como um gesto ultimo de um suicida

abafando um ultimo suspiro e grito de uma entortada esperança., esticando para dentro de minha garganta, cruzam o limite de meus

pulmões lacerados de um travesso destino, um ar cansado e pesado, esta luz que brilha sobre as trevas e fica apagado diante de meus olhos, flores e negros vegetais, orquídeas roxas e vagas ficam numa eterna vigia acompanhando esta viagem de deserção , desapego e isolamento temperado pela falta de esperança.

A fé é uma doença da alma…..

Vou fugindo, invadindo espaços fechados, meu sangue voltado para uma sonolência das veias a serem percorridas por navios fantasmas e percebo que minhas salgadas lagrimas tem o encantamento do desconhecido, acariciam meu rosto e um resto de humano joga-se para dentro do tempo…

São os nervos que perdem seu domínio, músculos retesados e desatinados, inflamados, a boca seca e a voz escondida diante de um mundo que se refaz pelo perdido das palavras, pelo perdido dos sentidos e do amargo desencontrado pela ironia de um mundo lavrado em dispensas vazias…vou buscando o reverso das sintonias desta rejeitada esperança e a alma que se divide na coluna quebrada de meu corpo!

 

É dificil perecer  quando sentimos  que as sombras Deus- NInguem e Jogos Esparços da Solidão

viram vidas, tomam formas humanas e em suas linguagens desarticulam, a continuidade da existencia,  fico a olhar a janela e penso na única forma de continuar neutro dentro deste jogo de vida e morte.

E sentir que do lado de fora da janela tudo pode ser normal, pessoas que amam, crianças que comem e namorados que se desejam, eu escrevo as cartas com letras amassadas de angustia e miséria sem esperar sem esperar a respoata do Deus – Ninguém, pois ele entende que meu abismo ficou abertopara a tristeza e para este inferno particular em que vou carregando o peso desta falida existência.

E dentro deste inferno, minhas emoções fugiam para dentro de meus nervos, não tinha o direito de fazer palavras, era uma escuridão, sem vonade de sonhar.

 

Um jardim desfigurado de uma memória escondida dentro de meus pulmões, a dificuldade de respirar, afundar-me no abismo do sonho que escapava na dissolução negra de meus dias, cavalgava o cavalo numa planície e buscava a rocha das montanhas, como quem busca a inércia de viver viver dentro de meu tempo sufocado de vomitos, sangue na pia e meu rosto aspero de desastre!

Fico preso no segundo pavilhão, a escada não tem corrimão, e uma tontura sempre me invade, uma fraqueza no corpo anoitece dentro de minha caminhada, a ventania é constante, parece trazer da terra que cobre os túmulos um olheiro de dor que nem a morte foi capaz de apagar, existe a sombra de um abismo que foi apenas se revelando com o passar do tempo, a mentira que guardamos desde o momento que descobrimos que a infãncia ficou abandonada dentro tempo.

Nenhum inferno poderia ser diferente  daquele que  costurava minha sina no mundo, ali despejado de alegria, o sangue e o mangue se misturando na paisagem que ousava desafiar, meus olhos e um peso metálico esticado para dentro da minha boca, a raiz da noite se escondia, tudo sempre igual, uma fronteira de barro, lama era o roteiro de meu destino.

 

“Deus Ninguém” de quem é este grito que fica enterrado na minha garganta, esta sombra que diante de meus olhos e tem o veneno doentio da existência, aproximome novamente da janela, o vidro quebrado tem o tamanho morto de meus olhos, preciso respirar vida, olho para meu corpo, magro dedos do pé machucado pelo hinelo, meu pijama amarrado com um cordão branco respingo de sangue na gola e nos botões  da blusa umcheiro azedo d urina e semem, a noite é sempre um espaço para uma masturbação com uma inexistente mulher que vejo no espelho interior de meus olhos.

Não tenho como fugir, nem nem escapar do mundo que me foi enjeitado, sei que preciso estar em algum lugar   vivo de um passado que desconheço, não me resta nenhuma forma de encontro com meu destino, existem túmulos  abertos e almas viajantes, outras  pessoas em cadeiras de rodas se locomovem como lagartichas nas paredes do hospital.

Fico com os olhos vedados de sombras, tudo um grande deserto, escorpiões furam co seu veneno a dureza cristalina de meus pensamentos desesperados de resposta.

_Ninguém vai responder nada, pois habitamos a mesma voz, gritamos a msma agonia, entemos fugir mas as correntes cercam nossos universo, algo me ….

Sinto que um nada pertuba minha necessidade de escrever,  cruzo a dor de um sentimento que precisa não existir mais, quero expor a impossibilidade do amor, pensar que a vida sempre encontra me em vielas escuras, pedras brutas dando forma ao chão da minha exaustão.

Um céu rachado dentro de mim, anuncia que minha prisão não tem o sopro da sobrevivência, vivo entre gritos e gemidos, os corvos negros em sua lentidão de asas negras viajam sobre o cheiro dos corpos enterrados entre abismo, e árvores sem frutos, apenas folhas em seu tempo de queda, incapaz de sobreviver a ventania constante no vale, o vento vem carregado uma  antiga esperança e sussurra em meus  ouvidos  a voz de mu antepassado que abandonaram-me  neste hospital.

Já não consigo ver-me com os olhos de antigamente, um medo, o pensamento escapando em tristeza,  quero reler meu destino  de outra maneira, sentir que a felicidade poderia até morar dentro de meu destino,  se alojar no fundo do abismo ou de um mar nas escondidas e endurecidas faces  de ostra  ou num caramujo grudado no taquaral, a dureza de uma casca que cobre minha pele, viver sem resposta de um Deus desconhecido e presente nas minhas invadidas orações sem fé sem carinho, abandono a verdade e me volto para o percorrer das horas que escondo nas caixas de meus pulmões, os olhos tampando  a vida vou buscando nas  entranhas do corpo o mistério da vida que ficou estragado, a alma tm um cheiro de um jasmim morto entre folhas secas.    Dentro da vida sonho, palavras se escurecem, nela viajo, como uma estrela apagada buscando refugio, os ser se desfalca  de entendimento, não tenho o ser que foge de mim, as folhas trancadas da imaginação, as palavras sem destino , esvaziada de vontade, pensamentos tortuosos e meus pensamentos pulam no intervalo da existencia . O silencio cresce na medida que minha dor aumenta, a indefinição do existir na morada do corpo, leio esperanças no vitral de uma fé esquecida, abraçar o sonho das mentiras , tecendo linhas tortuosas, meu nome será apenas a confusão de uma dor não compreendida, vento forte cruzando a janela quebrada, empurrando sementes negras, flores sem ossos , massageando  a pele de calafrios, asvezes penso que não sou arejado pela vontade da escrita para o Deus-Ninguem, palavras passam por mim, não sinto necessidade de aprisionar é como um bater de asas, movimentos repetidos marcando sempre o mesmo momento de uma grande perda, na noite envelhecida, as rugas escrevo e permanecem nas rugas do espelho, cruzando um mapa de viagens não permitidas , escondidas em conchas desgarradas no fundo do mar, de que vale meus olhos invadidos  de sombras e trevas, sem fuga , preso na agonia de meu sangue, a alma estrangulada em palavras, desabitadas, a lama negra grudada nas virgulas e exclamações de um tempo que deixo escapar nos meus gritos e as densas nuvens que percorrem as estradas de meu corpo, minhas artérias, o ar desamparado em meus pulmões, é nestas aguas revoltas que navego e pressinto o rumor pesado das ondas violando as rochas, feito pedra me descubro, me afundo e descubro o s corpos decompostos dos peixes e as algas grudadas, emparedadas no triste da fundura, o pesadelo molhado, salgado que lava a morte, a parada  respiratória é registrada no meu mapa, neste hemisfério quadrangular do pavilhão, onde os mortos ainda respiram invisivel ar, o inicio amargo de seu fim, ar que vão surgindo das pedras e tijolos de um estranho jardim, escorpioes , aranhas vão arranhando , tentando picar o corpo extinto e livre das mentiras em busca da eterno mapa de viver uma outra existencia ! Estou tentando em formas as palavras e dizer em vidros cortantes nas janelas que nunca se abrem para o sol que me consome em escuridão é quando devidamente escurecidas contra a possivel escuridão chegar até meu corpo e minha cama e de virus flutuando neste meu mundo de espaço tão reduzido em que habito  com meus tremores e angustias, virando o mundo que revejo em pedaços de noite que nunca acham o dia, desço o corredor para penetrar um jardim, sem resposta, quase abandonado, um mato  amarelado e queimado do sol, que não existe em mim, mato tomando conta de tudo, ervas daninhas que dançam num vento invisivel, escondendo carcaças de pequenos insetos e arvores projetam sombras nos bancos quebrados e desbotados, cores desaparecidas, a vida dorme em seu cansaço de existir, todo fim de noite descubro tragédias, os doentes retiram suas mascaras e fogem para o desconhecido existir e nas margens da solidão começam a afogar sua solidão, sua negritude e enterram suas memórias na laje de um cimento bruto, Brejo das Almas , sabe que vivem seu limite na estremura  e que pouco resta, limite esgotado e a loucura viciada em assumir pedaços de mistérios, esticar os nervos adormecidos, gritar, rir e se desgraçar mum mundo miseravel, as veias do mistério compondo mortes, ou da vida e minha c  caminhada  é de um sonambulo pelo corredor de um hospital destruido pelo tempo, embalados em papéis vázios e minhas lágrimas tinha um peso que meu rosto não suportavam em viéz de tristeza, ao meu lado o velho Jacinto, me sentia a necessidade de perguntar se a morte modificaria alguma coisa, o misterio que a morte trazia para dentro de seu tempo esvaziado de vida, seus olhos de patentear sonhos antigos e memorias entranhadas no corpo que conversava com o infinito !

_ Jacinto , o que é a morte ? Seu corpo vinha desmontado de entendimento, a cegueira das perguntas vivendo sem resposta e uma dor que suportava pelo peso de existir de um desconhecido existir pelo nada !

Engulo fatias de agonias, penso no sabor azedo de minha existencia, a estranheza de um sangue misturado com memórias e lembranças, habitando o espaço  morto de meu corpo, o gosto acre que regurgito de sangue e cuspo num urinol de ceramica todo amassado, e me vejo em alucinação, voando no desconhecido do tempo, cores inventadas, delirio de meu corpo trabalhando esta breve solidão grudada no fundo escondido da minha alma, então me ponho a viajar com asas partidas para o infinito e sei que perdi o momento de ser um passaro e de ver minha existencia num ceu sem esperança e tudo é escuridão dançando na imobilidade de meu angustiado corpo desviado de rotas e me desconheço, sinto um peso nos olhos, um torpor de esquecimento, adormeço poucos minutos, fujo das horas, abro os olhos, um lençol branco branco cobre o velho Jacinto, deixou a vida escapar, seus olhos abertos e opacos ganhariam  o espaço em que nenhuma tristeza ou lembrança poderiam novamente renascer, ao seu lado um lirio branco, a luz se apagara,o sino da capela, badalava dentro da capela, ganhava os ares num ritmo de tristeza e dor, a morte que anunciava sua partida, ali se sentia um grande silencio, alguns doentes vinham e levantavam o  lençol, espectros doentios como do morto, faziam o sinal da cruz e se retiravam como se fossem a proxima vitima, afogados dentro de um medo desconhecido, carregando as pedras do infortunio , resvalando em dores desconhecidas ,escuto o ruído da noite que pulsa como um galopar de sombras, toda minha certeza se esvaziava em saber que os últimos lances seriam dados naquele exato momento, era a partida, o final do jogo, estrelas fixadas em suas interrogações, sofria no dentro, escondia tristezas, a estória pedia o exilio de frases que ficariam para sempre guardadas, para nunca ser pronunciadas, a timidez nublando meus sentimentos, nunca seria compreendido, as esferas negras ficariam rolando entre cacos e pedras, tentava o caminho da redenção, torturar a solidão presente a cada instante, como seria importante me desapegar do tempo, sair fora do sistema que me amarra, não conhecer nada ou ficar cego onde a alegria se põe, perder a luminosidade, desfazer me num rio como um anjo maldito e barroco , nunca ser encontrado, pois sou feito de fantasias e dissoluções e num barro triste , sem moldes, inventando retratos em que a dormência  repousa como uma alma morta, atraz de meu olhar  um espelho esconde  o  deslumbrado  das trilhas para dentro de meu passado…onde o amor vira um farrapo, trapo para cobrir os pedaços soltos de meu silencio, preciso de todas as formas de desencontro, a chave que se perderá para sempre no negrume desta noite que carrego em mochilas no sempre, preciso sair, respirar….me alimentar com o que a palavra nunca me diz e que ficam pousadas como abutres em seus monturos , no desespero as palavras, iam sendo retiradas como pedaços de minhas vísceras, algas solitárias, o chão se abria com bocas dentadas , engolia, trituravam meus ossos na grande dimensão da agonia, náusea de tudo aquilo que meu corpo desconhecia, tudo que tinha perdido, os dias que fugiram de minha infância, a boca se retorcendo, desfolhando as pétalas de meus sonhos, como uma cobra engolindo tudo, me fazendo vitima, réu de um mundo que não precisava de reflexão, eu sendo a pasta melosa, em que todo ser humano um dia se tornaria, é quando a separação  vem como uma ventania e joga suas folhas como mortalha para o dentro do pastoso, no momento que os olhos se fecham, adormeço, lembrando que estava sem saída, um túnel fechado dentro da minha língua, engolido de sombras, a devassidão enrolada como arame farpado dentro e fora de meu corpo, minha pele como num ritual se esticando como um tapete descolorido , pelo calor do sol, talvez lugar que sempre esteja, a dor do tempo terá meus passos marcando o infinito, sem carinho, olhando a escuridão devorada, solidão sem culpa, um amor esparramado de sofrimento em olhar vazios e tristes, sou o que deixei de ser….sou o que deixei de ser…portando deliro, jogado em frases que não podem ser emendadas, olhar  de sonambulo, um vazio de existir, talvez seja a doença de não acreditar em que algo possa mudar meu destino !

Esparsos I

Não deixo de acreditar que o final poderia ser o momento de descoberta, a vida vai deixar sua roupagem mal lavada de tristezas, revestindo com cores apagadas o caos, pano velho guardando letras apagadas e esquecidas de lembranças, uma vida se guardando em desespero de uma dor que não foge de meu peito preso e cansado, agua pura que vai secando dentro de um silencio de voz que não chega onde estou, beira morte ou vida…

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08/02/2017

” Deus-Ninguém “

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 14:30

 

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20/12/2011

Carlos Bueno Guedes

Filed under: Uncategorized — oescritoreapalavra @ 09:07

Sem o complètent que dá às coisas
O entendimento
Seriam as coisas apenas um desentender
E não as próprias coisas
São as coisas
Mais reais que a ideia de das coisas?
A metafísica que tem o olhar
E dá para tudo a sombra do entendimento
Faz do pensar uma pedra
E afoga tu, poeta
Em nuvens no estômago da madrugada
Asfixiando-se
Com o rosto no algodão macio dos céus
Tu Cigano
Se perdendo em instantes
Não sabe se é coisa ou se é sombra
Os passos curtos cruzando corredores
A fala cansada
As pálpebras cansadas e pesadas
Pesando o mundo sobre o olhar
Mundo teu os teus pensamentos
Que nunca se cansam
Bateram asas dois ou três pássaros lá fora
Na dança mais bonita do mundo
Sem que ninguém tivesse notado”

Felippe Regazio

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